1000 casas não saem do papel

Cidade
Guaíra, 2 de junho de 2015 - 02h10

No dia 28 de maio de 2015, o vice-prefeito Denir afirmou: “deixarei a ‪#‎Zeladoria‬ do município… para me dedicar inteiramente a construção das 1000 casas populares… que o Prefeito Sérgio Mello e eu nos comprometemos… Dou minha palavra que estas casas serão construídas”

Desde que assumiu o governo em 2013, o prefeito Sérgio de Mello e o vice Denir Ferreira priorizaram construção de casas, mas esqueceram de cuidar dos serviços essenciais. Faltando 18 meses para terminar mandato, sonho casa própria tornou-se mais uma ação marketing nas redes sociais

As chaves de papelão com o slogan das 1000 casas populares distribuídas durante um comício no bairro Aniceto Carlos Nogueira ainda são guardadas por aqueles que foram iludidos com a promessa de realização do sonho da casa própria durante campanha eleitoral de outubro de 2012.
E o que deveria ser um projeto de fácil execução, como bem informou durante a eleição o prefeito Sérgio de Mello e seu vice-prefeito Denir Ferreira dos Santos, tornou-se motivo de noites sem sono dos administradores do Paço Municipal e políticos ligados à base aliada.
Nem mesmo a grande abertura que o prefeito eleito sempre manifestou ter no Governo Federal foi suficiente para que, já nos primeiros meses de governo, como havia sido prometido, as 1000 casas começassem a ser erguidas e o projeto pudesse, enfim, ultrapassar as milhares até final de 2016.
Nos fatos que iremos mostrar nesta reportagem será possível o leitor entender que muito mais que uma meta de governo, a construção das 1000 casas tornou-se também uma estratégia de marketing prioritária para o plano de continuidade no poder do grupo que hoje administra a cidade.

Teoria da conspiração
Notícia divulgada na última semana pela Rádio Cultura de Guaíra demonstra muito bem a preocupação com o assunto 1000 casas e seu uso político já na próxima eleições.
De acordo com a matéria, políticos e correligionários da oposição, em Guaíra, acusaram o prefeito Sérgio de Mello de estar criando uma “teoria da conspiração” que lhe sirva como desculpa para o não cumprimento da promessa eleitoral da construção de mil casas populares.
Segundo aqueles que procuraram a Rádio Cultura, o prefeito já estaria divulgando em emissoras de sua influência uma suposta conspiração de adversários políticos contra as casas prometidas.

A cronologia das 1000 casas em 29 meses de Governo
Desde que assumiram a prefeitura, o prefeito Sérgio de Mello e seu vice-prefeito Denir Ferreira dos Santos, divulgaram uma série de informações ligadas a construção das 1000 casas. Diversas manchetes que deixaram a população com grande expectativa do projeto se tornar realidade.
Em consulta sobre “casas” no site da prefeitura, a primeira notícia é de 1º de maio de 2013, que foi anunciado possíveis áreas para a construção de 240 casas pela CDHU, informando que o arquiteto credenciado da CDHU, José Ricardo Balieiro de Maria esteve em Guaíra e vistoriou algumas áreas elencadas pelo departamento de Engenharia e Obras.
Já em 17 de maio de 2013, o site da prefeitura publicou a matéria com o destaque “1000 casas uma realidade próxima”, divulgando a apresentação do Plano Local de Habitação de Interesse Social, realizado na Câmara Municipal, em 16 de maio.
A notícia informava que em quatro meses de administração, Sérgio já havia conseguida mais da metade do seu compromisso. Somando-se as 240 unidades do CDHU, as 120 do Minha Casa Minha Vida e as 150 do Minha Casa Minha Vida Entidades, a administração contabilizou 510 unidades.
Durante o evento, que servia para apresentar o diagnóstico do déficit habitacional da cidade, a ansiedade da população era pelo anúncio de inscrições. Sérgio tranquilizou o povo salientando que pretendia fazer um processo de inscrição sereno e organizado e implementar uma seleção justa.
Na matéria já existia, inclusive, uma data para início das obras. “Sérgio foi consciente e avisou à população que mesmo tendo áreas e unidades empenhadas pelo programa de moradia popular, devido aos tramites burocráticos e procedimentos de engenharia, provavelmente a construção de casas Guaíra deve ver somente no final deste ano ou no começo de 2014”, esclarece o texto.
No dia 10 de julho de 2013, outra matéria do site reportava a visita de engenheiros da CDHU que vistoriaram área para as 240 casas. Os técnicos da CDHU receberam os documentos, pranchas de projetos e instruções sobre a área, além de orientação sobre os equipamentos públicos disponíveis, como acesso asfaltado e urbanizado, área de lazer nas imediações, redes de água, esgoto e energia elétrica ao alcance do empreendimento popular.
No dia 5 de agosto de 2013, outra notícia retratava a assinatura da escritura definitiva do terreno das 240 casas da CDHU. Depois da assinatura do prefeito, da proprietária, Badia Jabour Junqueira e seus herdeiros, na transmissão de escritura, o município passou a ser o proprietário legal dos 91.335 metros quadrados, totalizando mais de R$ 1 milhão.
Adentrando o ano de 2014, em janeiro, a matéria publicada teve o seguinte título: “Sérgio Mello assegura construção de 850 casas populares em Guaíra”. Na ocasião, o prefeito afirmou que já tem assegurada a construção de 850 moradias populares por meio de programas habitacionais dos governos estadual e federal para famílias de baixa renda. “Estamos bem próximos de garantir o cumprimento da meta de construir 1.000 casas para famílias que mais precisam”, afirmou a nota que disse que Sérgio Mello também queria realizar o cadastramento das famílias interessadas no mês de março daquele ano, o que também não aconteceu.
Em 17 de maio de 2014, durante apresentação do Plano Municipal de Habitação, com grande presença da população no Centro Social Urbano, o secretário de Obras Said Abou Hammine Filho informou que as moradias populares serão entregues com toda a infraestrutura pronta, que envolve redes de drenagem, água, esgoto e elétrica, asfalto, guias e sarjetas e um muro de 1,20 metro separando uma casa da outra. “Nós governamos para todos, mas as famílias que mais precisam são a nossa prioridade. Por isso, construir as casas é questão de honra para nós [do governo]”, afirmou, com veemência, Sérgio de Mello.
Sem cumprir a promessa de início do cadastramento dos mutuários em março de 2014, a próxima notícia foi em 15 de dezembro de 2014, com o título “Rumo as 1000 casas”. Na matéria era informado a formalização de um tratado de cooperação para agilizar convênios de obras com recursos do governo de Brasília à Caixa Federal que vai disponibilizar um funcionário que dará assessoria nos projetos de Guaíra financiados pela Caixa.
Um dia após, no dia 16 de dezembro, o site da prefeitura retratou uma notícia “Meta ainda é as 1000 casas até dezembro de 2016”. Já não era final de 2013, início de 2014, muito menos 2015 e sim dezembro de 2016. O prazo era alongado para o final do mandato.
Esta matéria ainda informava que estiveram em Guaíra o gerente regional de governo, Carlos Augusto Bronca, o gerente regional de construção civil, Wagner Pereira e o gerente de filial de Habitação da Caixa Federal, Maurício Gauche. A comitiva do banco veio ao município para vistoriar a área que foi destinada para a construção de 392 casas pelo Programa Minha Casa Minha Vida Entidades. Uma modalidade de edificação que envolve Governo Federal, Prefeitura e entidades sindicais.
Já no início deste ano, a prefeitura realizou em 12 de março, na Câmara Municipal, a exposição do Minha Cada Minha Vida Entidades contando com a presença do prefeito, seu vice Denir, secretários de governo afetos ao projeto, vereadores e técnicos da Caixa Federal.
Durante o encontro, o chefe do setor de Compras, Paulo Cesar de Andrade esclareceu para todos o andamento da licitação da obra de reestruturação da rede de esgoto de Guaíra e mostrou que trata-se de um processo que segue prazos estabelecidos por lei e por ser uma obra de valor alto, quase R$ 7 milhões as empresas participantes do certame lançam mão de todos os recursos legais para vencer a licitação o que ocasiona o alargamento do prazo. No entanto a licitação parada por mandato de segurança da Justiça deve voltar a correr em breve, esperando apenas um parecer do Juiz da Comarca.
Quando as obras de ampliação da rede de esgoto tiverem início, a construção de casas na região pode começar. Acontece que até hoje não existia um parecer favorável do Juiz de Direito quanto à licitação pra solução do problema das lagoas de estabilização. Enquanto isto, faltando 18 meses para o término deste mandato, nem uma única casa foi construída.

Vice-prefeito deixa Zeladoria para se dedicar a construção das 1000 casas
Ele é vice-prefeito, mas já ocupou o cargo de Secretário da Indústria, Comércio e Emprego. Depois de um período, abandonou e assumiu o cargo de Zeladoria. Mas, antes, já tinha manifestado interesse em cuidar apenas do projeto de construção das 1000 casas.
Com a cidade descuidada, Denir Ferreira dos Santos assumiu o cargo de Coordenador da Zeladoria, função esta que não existe dentro do cronograma administrativo da prefeitura. Mesmo assim, ficou nesta função por um período, até resolver abandonar também esta área.
Na rede social, Denir disse: “A partir desta data quero comunicar que deixarei a ‪#‎Zeladoria‬ do município… para me dedicar inteiramente a construção das 1000 casas populares… que o Prefeito Sérgio Mello e eu nos comprometemos… Dou minha palavra que estas casas serão construídas… Sou 100% Casas Populares a partir de agora”, afirmou.

Veja abaixo o post original:


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