





Rogério tinha tudo para ser apenas mais um jovem do interior de São Paulo tentando descobrir o que faria da vida. Não era o aluno que tirava nota máxima, não era apontado como gênio, não colecionava medalhas nem carregava o rótulo de prodígio.
Ele mesmo faz questão de dizer isso.
Era um aluno comum.
Mas talvez exista uma característica que, às vezes, valha mais que talento: a coragem de continuar.
Foi no primeiro dia do ensino médio que ouviu pela primeira vez uma palavra que mudaria sua vida: ITA.
Um colega comentou sobre a instituição. O professor começou a falar daquele lugar quase como quem descreve um universo distante, reservado aos melhores, aos mais brilhantes, aos que pareciam nascer prontos.
Rogério ouviu tudo.
E decidiu tentar.
Sem saber exatamente como.
Sem ter certeza se aquele sonho cabia dentro da realidade dele.
Começou pelos livros. Errou muito. Não entendia quase nada. Enquanto outros avançavam com facilidade, ele tentava descobrir como resolver conteúdos que muitos consideravam básicos.
Mas continuou.
Vieram os estudos online, a pandemia, as mudanças de cidade, as bolsas de estudo, os simulados ruins, os cortes, as reprovações silenciosas e aquela sensação que tanta gente conhece: estudar muito e sentir que não está saindo do lugar.
Até que entendeu uma coisa que mudaria sua trajetória.
O problema não era falta de esforço.
Faltava construir a base.
Foi nesse momento que surgiu o Catálise. Rogério conta que encontrou no projeto um caminho para reorganizar aquilo que estava faltando, fortalecendo conceitos fundamentais e recuperando etapas que haviam ficado para trás. Mais do que conteúdo, encontrou um método que ajudou a transformar dedicação em avanço real.
Mas havia algo que talvez explicasse melhor sua caminhada.
Rogério persistiu e nunca aceitou uma segunda opção. Para ele, nunca existiu plano B. Existia apenas aquele sonho. Existia apenas o ITA.
E foi justamente essa decisão silenciosa, tomada ainda muito cedo, que o fez continuar quando os resultados demoravam, quando os simulados não correspondiam ao esforço e quando desistir parecia uma alternativa mais confortável.
A partir dali, os resultados começaram a aparecer.
Vieram aprovações importantes. IME. AFA. Escola Naval.
Mas ainda existia um sonho que insistia em permanecer de pé.
O ITA.
Vieram novas tentativas.
Primeira fase.
Segunda fase.
Mais estudo.
Mais espera.
Mais dúvidas.
Em algum momento ele pensou em desistir.
Achou que talvez aquele sonho não tivesse sido feito para ele.
Só que havia gente ao redor que acreditava quando ele já não conseguia acreditar.
Os pais.
Aqueles que lembravam, nos dias difíceis, que persistência também é talento.
E então chegou o último ano.
A decisão foi simples e definitiva:
dar tudo o que ainda existia para entregar.
No dia do resultado ninguém dormiu.
O relógio andava devagar.
Seis horas.
Sete horas.
Oito horas.
Amigos recebendo ligações.
Mensagens chegando.
Comemorações acontecendo.
E o telefone dele continuava em silêncio.
Até que aconteceu algo que ele nunca imaginou.
Não tocaram para ele.
Tocaram para sua mãe.
Ela olhou desconfiada para o número.
DDD 12.
“Será que é trote?”
Rogério respondeu na hora:
“Mãe… atende.”
Do outro lado da linha estava um major da Aeronáutica dando a notícia que durante anos parecia impossível.
A aprovação tinha chegado.
Mas naquele instante não era sobre o ITA.
Não era sobre ranking.
Não era sobre vestibular.
Era sobre abraçar os pais.
Era sobre lembrar dos dias em que pensou em parar.
Era sobre descobrir que esforço acumulado nunca desaparece.
Hoje, aos 21 anos, Rogério faz parte da turma T30 do ITA.
Mas talvez sua maior conquista não esteja escrita em nenhum resultado.
Ela está na mensagem que deixa para outros jovens que moram em cidades pequenas, estudam com dúvidas e acreditam que grandes sonhos pertencem aos outros.
A história dele mostra justamente o contrário.
Sonhos não escolhem endereço.
Eles escolhem quem continua.
E, às vezes, tudo começa quando alguém aparentemente comum decide não desistir.
E, ao final desta história, fica uma certeza: nenhuma grande conquista acontece sozinha.
Por trás de cada página estudada, de cada simulado, de cada dúvida vencida e de cada momento em que desistir parecia mais fácil, existiu uma família acreditando, incentivando e lembrando que os sonhos merecem mais uma tentativa.
O abraço mais especial desta conquista também pertence aos pais, que estiveram presentes em cada etapa dessa caminhada.
O Grupo Vicente Lacativa em nome do Jornal O Guaíra deixam aqui um abraço carinhoso e os parabéns a Rogério de Lima Faria por sua extraordinária conquista e estendem esse reconhecimento ao pai, Rogério Faria, e à mãe, Andreia Faria, que ajudaram a transformar esforço em realidade.
Que esta história continue inspirando outros jovens a acreditarem que nenhum sonho é grande demais para quem decide persistir.

