Fora dos padrões!

Editorial
Guaíra, 15 de agosto de 2021 - 10h11

Ele recebeu o nome de “Altair Severino Dias”, mas estava fadado a ser diferente, desde pequeno, então, enquanto crescia e ia firmando seu perfil de pessoa abençoada, ficou conhecido pelo codinome de “Pitt Dias” que, aliás, lhe caiu como uma luva.

Assim, Pitt foi mostrando a que veio ao mundo: através do seu batuque, do seu som, esteve presente na vida de uma “galera” que se apegou ao mestre e foi tomando gosto pela arte de tirar som até de uma lata vazia.

O garoto de cabelos Afro, que ele ostentava com orgulho, marcou tantas pessoas, ensinou a sua arte, foi professor, foi Coordenador de Cultura por um período de tempo, mas estar atrás de uma mesa e assinar papéis não era bem a sua praia. Seu gosto era tirar a “meninada” de um grupo de risco e estar com eles onde estivesse a alegria de viver!

Desta forma, nós guairenses, que tivemos o privilégio de conviver com o Pitt, o vimos e ainda  ouvimos seu som  em vários palcos da vida, vimos sua jovialidade na avenida por ocasião do carnaval, ouvimos seu batuque na Igreja, acompanhamos seus alunos na cadência dos grandes eventos e onde tivesse a oportunidade de mostrar seus pupilos, lá estava a figura inconfundível do Pitt, ora amarrando seus cabelos volumosos em um turbante, ora os envolvia em lenços, mas seu charme era mostrar estes cabelos que apareciam  e firmavam sua origem da qual tinha imenso orgulho.

Quando a notícia que nosso querido artista estava internado – com um fungo no pulmão – as redes sociais se encheram de orações, de mensagens positivas e até um vídeo com a imagem de um Pitt sorridente deu alento a muitos corações.

Mas os desígnios de Deus eram outros: levar nosso amigo, companheiro, parceiro de todas as horas para junto Dele.

Foi uma comoção!

Novamente, as redes sociais se encheram de homenagens, de sentimentos mais tristes desse mundo  e foram tantos, vindos de todos os lados como nunca se tinham visto antes.

E como nosso Pitt sempre viveu perto da música, assim também, na sua última despedida, no seu adeus,  no Campo Santo, seu batuque esteve presente! Nunca tínhamos visto tantos artistas, tantos sons, tantos músicos querendo externar a sua gratidão ao mestre Pitt, que agora adormece na eternidade.

Assim, se fosse possível, que Pitt levasse o reconhecimento dos guairenses ao saudoso Ney Tosta, que também repousa na eternidade, porque enquanto ambos estiveram por aqui, a Cultura foi, sem sombra de dúvida, mais rica, mais humana e muito mais alegre!   


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