Quando o radar está certo e quando a multa realmente vale

Cidade
Guaíra, 22 de maio de 2026 - 09h05

Motoristas que passaram recentemente pela rodovia SP-345, entre os trechos de Ipuã e Guaíra, talvez nem tenham percebido, mas os radares instalados nos quilômetros 99 e 123 passaram por uma espécie de “prova de confiança”. Na última terça-feira, 19 de maio, técnicos do Ipem-SP estiveram nos locais para verificar se os equipamentos estavam medindo corretamente a velocidade dos veículos. O resultado: os dois instrumentos foram aprovados.

A cena costuma despertar desconfiança em muita gente. Afinal, poucos assuntos irritam mais um motorista do que receber uma multa e imaginar que o radar possa estar errado. É justamente para evitar esse tipo de dúvida, e também para impedir abusos, que existe a verificação metrológica realizada pelo Ipem-SP, órgão delegado do Inmetro no Estado de São Paulo.

Na prática, o trabalho funciona como uma auditoria técnica dos radares. O objetivo é simples, mas decisivo: confirmar se o equipamento registra exatamente a velocidade que o veículo realmente desenvolve na pista. Nem a mais, nem a menos.

E não se trata de um detalhe burocrático. Sem a aprovação do Ipem-SP, um radar não pode validar multas por excesso de velocidade.

A fiscalização ocorre anualmente ou sempre que o equipamento passa por manutenção, troca de peças ou mudança de local. Em 2025, o Ipem-SP já verificou 8.624 radares espalhados pelos 645 municípios paulistas, em uma operação silenciosa que movimenta equipes técnicas diariamente pelas estradas do estado.

Como funciona a “prova” dos radares

A inspeção pode durar entre 20 minutos e uma hora. Durante o procedimento, uma viatura oficial equipada com um medidor de altíssima precisão percorre a via em velocidades previamente determinadas. Depois, os técnicos comparam os dados registrados pelo radar com os dados do veículo padrão do Ipem-SP.

O teste acontece em cinco velocidades diferentes. Se houver divergência acima do permitido pela legislação, o equipamento é reprovado, interditado e a empresa responsável é obrigada a corrigir o problema.

Quando aprovado, o radar recebe um certificado válido por um ano.

Em dias de chuva, porém, a operação é cancelada. Isso porque fatores climáticos podem comprometer a precisão dos testes e alterar a leitura dos equipamentos.

O radar nem sempre é “radar”

Embora a palavra “radar” tenha virado sinônimo de fiscalização eletrônica, muitos equipamentos utilizados nas rodovias funcionam de maneiras diferentes.

Alguns operam com ondas eletromagnéticas e efeito Doppler, o radar clássico. Outros usam feixes de laser, sensores instalados no asfalto ou sistemas ópticos capazes de calcular a velocidade pelo tempo de passagem do veículo entre dois pontos.

Em comum, todos possuem sistemas de detecção, processamento, armazenamento de dados e câmeras capazes de identificar os veículos infratores.

Existem ainda diferentes formatos de operação: equipamentos fixos, móveis, portáteis, os conhecidos “tipo pistola”, e os estáticos, que podem ser deslocados de um ponto para outro.

Segurança ou indústria da multa?

A discussão volta à tona sempre que um novo radar é instalado. Há quem enxergue os equipamentos como instrumentos de arrecadação. Outros lembram que a redução da velocidade ainda é uma das formas mais eficazes de diminuir acidentes graves e mortes nas estradas.

No centro dessa disputa entre percepção e realidade, o trabalho do Ipem-SP tenta cumprir um papel essencial: garantir que, independentemente da opinião sobre os radares, a medição seja tecnicamente correta e transparente.

Porque, no fim das contas, mais importante do que multar é assegurar que nenhum motorista seja punido por um equipamento desregulado e que nenhum excesso de velocidade passe despercebido por falha técnica.


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