Quem aguenta o Galvão Bueno?

Editorial
Guaíra, 24 de agosto de 2016 - 16h23

Falem mal, mas falem de mim. Este poderia ser o slogan de Galvão Bueno. Vaidoso, ele não disfarça a satisfação de ser o narrador esportivo mais famoso da TV brasileira – ainda que isso lhe confira os títulos de ‘mais amado’ e ‘mais odiado’. “Toda unanimidade é burra”, poderia justificar-se, recorrendo ao igualmente controverso Nelson Rodrigues.

Passionalidade à parte, Galvão ainda é fundamental para os shows de transmissão da Globo. Menos como narrador (há excelentes profissionais na casa) e mais como personagem midiático. Brasileirão sem Galvão? Fórmula 1 sem Galvão? Copa sem Galvão? Olimpíada sem Galvão? Sua ausência tiraria o tempero ardente da cobertura. Ruim com ele, sem graça sem ele.

Dramático e cômico, Galvão vai além da narração em si: rende manchetes na imprensa e “memes” nas redes sociais, suscita conversas de botequim e discussões em programas de TV, alimenta defensores aguerridos e críticos apaixonados. Uma figura pública perfeita para ilustrar o Brasil de radicalismos da contemporaneidade.

O apresentador se tornou mais relevante pelo que representa do que pelo que faz. Suas narrações lotadas de clichês e autorreferências não fariam falta à TV, mas a personalidade polêmica, sim, e também as gafes, as tiradas de humor e, às vezes, o comportamento passional que o transforma em porta-voz do povo, como no episódio das críticas a Neymar.

Sempre no fio da navalha, Galvão obriga o telespectador a tomar partido: amá-lo ou odiá-lo, e isso é positivo, já que o desperta de uma posição submissa em relação ao que é oferecido pela TV. O narrador berra, resmunga, contesta, ironiza, filosofa e até chora. Não se pode acusá-lo de falhar na função de entreter e de fazer seu trabalho com entusiasmo de principiante.

No final da cerimônia de encerramento das Olimpíadas, no domingo (21), estava mais emocionado do que nunca. Tanto que até lhe faltaram palavras em alguns momentos e vários erros ao se pronunciar. Ao lado de Gloria Maria, Marcos Uchoa e Renato Ribeiro, ele exaltou o Brasil e os brasileiros ao falar de improviso e também ao ler um texto a respeito das superações e glórias dos atletas do país.

Após ameaças (teatrais?) de aposentadoria, Galvão Bueno não dá sinais de querer parar. Aos 66 anos – 36 deles na Globo –, parece animado com a hipótese de ser o principal narrador do canal na Copa da Rússia, em 2018, e na Olimpíada de Tóquio, em 2020.

Nos corredores da emissora circula uma piada: para tirar Galvão Bueno do ar, só com impeachment.


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