
O TOD tem características muito específicas. A principal delas é um padrão persistente de humor raivoso e irritável associado a comportamentos desafiadores direcionados principalmente às figuras de autoridade. Não estamos falando de uma birra comum ou de um dia difícil. O que diferencia o transtorno é a frequência, a intensidade e o prejuízo que esses comportamentos provocam na rotina.
Em muitas famílias, tarefas simples como tomar banho, fazer a lição de casa ou sair para um passeio se tornam motivo de conflitos diários. A casa passa a viver em constante tensão. Os pais se sentem frustrados. A escola faz queixas frequentes. Aos poucos, todos ficam emocionalmente desgastados.
Os sinais costumam aparecer entre os 5 e os 8 anos e são mais frequentes em meninos, embora também possam ocorrer em meninas. Quando comparamos essa criança com outras da mesma idade e do mesmo contexto, percebemos que suas reações são desproporcionais. Esse é um dos principais alertas de que é hora de buscar uma avaliação profissional.
O diagnóstico é feito por especialistas como psiquiatras e neurologistas infantis. Eles consideram os relatos da família, da escola e dos profissionais que acompanham a criança, especialmente o psicólogo. Por isso, observar o comportamento e procurar ajuda cedo faz toda a diferença.
Outro equívoco comum é acreditar que basta colocar a criança na terapia para que tudo se resolva. A psicoterapia é fundamental porque ajuda a criança a reconhecer as emoções, desenvolver estratégias para lidar com elas e fortalecer habilidades importantes para o dia a dia. No entanto, ela nunca deve caminhar sozinha.
O tratamento do TOD precisa ser multidisciplinar. Além da psicoterapia, o manejo parental é indispensável. Dependendo das necessidades da criança, outros profissionais também podem participar do processo. Em alguns casos, a medicação é indicada, mas é importante entender que ela não trata o transtorno. Seu papel é reduzir a irritabilidade e favorecer o aproveitamento da terapia e das estratégias aplicadas pela família.
É justamente nesse ponto que quero fazer um alerta. Sem o envolvimento dos pais, não existe tratamento eficaz para o TOD. A criança passa poucas horas por semana com os profissionais. A maior parte do tempo ela está em casa. É nesse ambiente que ela aprende a lidar com os desafios do cotidiano e constrói suas relações.
Isso exige uma mudança na forma de educar, pois o autoritarismo aumenta os conflitos com as crianças com TOD. Em seu lugar, precisamos investir em conexão, diálogo e acordos construídos com respeito. Ouvir a criança, oferecer tempo de qualidade, praticar a escuta ativa e servir de exemplo são atitudes que fortalecem o vínculo e favorecem a colaboração.
Nada disso significa abrir mão dos limites. Pelo contrário. Significa ensinar com firmeza e acolhimento ao mesmo tempo. Crianças com TOD precisam de adultos preparados para guiá-las, não para enfrentá-las.
*Cíntia Matos é educadora parental certificada pela Positive Discipline Association, mãe de uma criança diagnosticada com TOD e autora do livro “Lucas vai à terapia” (disponível na Amazon). Siga a autora no Instagram: @_cintia_matos

