Quando a gente conhece a história

Opinião
Guaíra, 7 de outubro de 2026 - 07h13

Há conquistas que a gente notícia.

E há conquistas que, antes de escrever, fazem a gente parar por alguns segundos e voltar no tempo.

Foi assim quando soube que a Ouvidoria conquistou o Selo Prata TCESP Ouvidoria Cidadã, reconhecimento concedido pelo Tribunal de Contas do Estado de São Paulo.

Porque à frente da Ouvidoria está Osmar Junior.

E falar do Junior, para mim, não é simplesmente falar de um diretor ou de alguém que hoje ocupa uma função pública. É falar de um menino que eu vi crescer.

Durante décadas, ele fez parte da história do Jornal O Guaíra. E quem convive tantos anos dentro de um jornal acaba conhecendo as pessoas para além do currículo. Conhece nos dias bons, nos dias corridos, nos problemas de última hora, quando alguma coisa dá errado e é preciso encontrar uma solução.

É nessas horas que a gente descobre de que material cada pessoa é feita.

E nós conhecemos o Junior como a palma da nossa mão.

Sempre disposto. Atencioso. Responsável. Determinado. Daqueles que, quando colocam alguma coisa na cabeça, vão atrás. Não esperam o sonho bater à porta. Caminham até ele.

Por isso, de certa maneira, seu sucesso nunca nos surpreendeu.

A gente já sabia.

Sabia porque acompanhou de perto sua dedicação. Viu sua responsabilidade com o trabalho e, principalmente, conheceu o homem por trás do profissional.

Porque competência nenhuma fica completa quando não atravessa a porta de casa.

E ali também está muito de quem Júnior é.

Está no filho dedicado de seu Osmar e Vera. No irmão presente de Marcelo Junior, Leina e Lídia. No marido carinhoso de Muriela. E, principalmente, no pai extremamente presente de Osmar Neto e Benjamim.

Por isso que esse reconhecimento tem um significado diferente para quem acompanhou sua caminhada.

Não enxergamos apenas o diretor da Ouvidoria recebendo um selo.

Enxergamos o menino que passou tantos anos conosco chegando a um lugar que conquistou com trabalho.

E dá orgulho.

Um orgulho daqueles quase familiares, de olhar de longe e pensar baixinho:

“Eu sabia que esse menino ia longe.”

O Selo Prata TCESP Ouvidoria Cidadã não diz que uma administração é perfeita. Não diz que todos os problemas de uma cidade desapareceram. E muito menos impede que se continue cobrando, fiscalizando e apontando aquilo que precisa melhorar.

Ele reconhece um trabalho.

E reconhecer um trabalho bem feito deveria ser uma das coisas mais simples da vida.

Mas, em tempos de tanta divisão, parece que até elogiar ficou perigoso.

Se eu reconheço algo positivo feito por alguém de quem você não gosta, parece que automaticamente passei para “o outro lado”.

Que pobreza de pensamento.

Uma cidade precisa de oposição. Precisa de fiscalização. Precisa de gente perguntando, cobrando e denunciando quando for necessário.

Mas também precisa de honestidade para dizer: isso aqui deu certo.

Podemos cobrar amanhã aquilo que falta sem diminuir aquilo que foi conquistado hoje.

Há quem passe a vida olhando para um copo e só consiga enxergar a parte vazia. Há quem enxergue apenas a parte cheia. E existem aqueles que simplesmente olham o copo inteiro.

Eu prefiro o copo inteiro.

Quero ter liberdade para criticar quando acreditar que alguma coisa está errada e a mesma liberdade para aplaudir quando alguém fizer por merecer.

E, desta vez, meu aplauso tem também um pouquinho de memória.

Porque antes do diretor, antes da Ouvidoria e antes do Selo Prata, existe uma história que nós, do Jornal O Guaíra, tivemos o privilégio de acompanhar.

Por isso, hoje não escrevo apenas como jornalista.

Escrevo como Izildinha Lacativa, que viu aquele menino crescer, trabalhar, sonhar e correr atrás.

E que agora olha para ele e pode dizer, com um orgulho danado:

Parabéns, Junior. Você chegou lá. E nós sabemos muito bem o quanto você fez por merecer.

Izildinha Lacativa 

 


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