Só metade das suspeitas de dengue é dengue mesmo, revela estudo

Agora
Guaíra, 13 de agosto de 2016 - 11h03

As metodologias hoje disponíveis tanto na rede pública de saúde como nos laboratórios e hospitais particulares, ainda podem dar um resultado falso-positivo

Um estudo coordenado por pesquisadores da Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto (Famerp), com apoio da Fapesp e parcialmente publicado no “Journal of Clinical Virology”, sugere que os diagnósticos de dengue, zika e chikungunya estão muito imprecisos e podem estar distorcendo os dados oficiais da epidemia no Brasil.

A equipe, coordenada pelo professor Maurício Lacerda Nogueira, integrante da Rede Zika, analisou por meio de testes moleculares amostras sanguíneas de 800 pacientes com suspeita de dengue, atendidos entre janeiro e agosto de 2016. O material foi fornecido pelo Hospital de Base da Famerp, e pela Secretaria de Saúde do município.

O diagnóstico inicial de suspeita de dengue foi feito a partir de sintomas clínicos e testes sorológicos. Mas apenas metade dos casos realmente era dengue. Mais de cem pacientes estavam com zika. Uma das amostras continha o vírus causador da febre chikungunya.

Nenhum dos três arbovírus transmitidos pelo mosquito Aedes aegypti foi encontrado nas quase 300 amostras restantes, e os pesquisadores suspeitam que, na realidade, são casos de gripe ou outras viroses.

“Esses resultados indicam que aquela divisão clássica que se costuma fazer entre os sintomas –associar conjuntivite ao zika e dor nas articulações ao chikungunya, por exemplo – serve apenas para dar aulas. Na prática, os sintomas se confundem. E também se confundem os resultados dos testes sorológicos atualmente usados na rotina dos laboratórios e serviços de emergência”, destacou o pesquisador Maurício Lacerda Nogueira.

“Embora já tenham sido desenvolvidos novos métodos sorológicos capazes de diferenciar com precisão os anticorpos contra o vírus da zika e da dengue, eles ainda estão restritos ao âmbito da pesquisa acadêmica”, ponderou.

As metodologias hoje disponíveis tanto na rede pública de saúde como nos laboratórios e hospitais particulares, segundo Nogueira, ainda podem dar um resultado falso-positivo de dengue nos casos de pacientes com zika, uma vez que os dois vírus são muito semelhantes.

“A única forma de ter certeza é por meio de testes moleculares, como o PCR em tempo real – bem mais caro que a sorologia. Os laboratórios de saúde pública, como o Instituto Adolfo Lutz, não conseguem oferecer esse tipo de exame para toda a população e acabam priorizando mulheres grávidas e pessoas com suspeita de Guillain-Barré (uma das complicações neurológicas da infecção pela zika)”, acrescentou o pesquisador. (UOL)


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