







O milho movimenta muito mais do que as lavouras de Guaíra e região. Da venda de sementes, fertilizantes e defensivos à comercialização de máquinas, equipamentos, transporte, armazenagem e assistência técnica, existe uma extensa rede de empresas e profissionais ligada diretamente à atividade agrícola. Aproximar esses setores, identificar dificuldades comuns e transformar essa força econômica em novas oportunidades é o objetivo de uma iniciativa que começa a ganhar forma no município.
Na noite de quarta-feira (4), produtores rurais, empresários e fornecedores do agronegócio participaram de um encontro promovido pelo Sindicato Rural de Guaíra e pelo Sebrae-SP, no restaurante Recanto Gaúcho. A reunião marcou o início da estruturação da Cadeia Produtiva Local (CPL) do Milho, que buscará reconhecimento junto ao Governo do Estado por meio do programa SP Produz.
Mais do que conquistar uma certificação, a proposta é organizar os diferentes segmentos ligados à cultura, fortalecer sua representatividade e criar condições para ampliar a competitividade regional. Para isso, o primeiro passo foi ouvir quem produz, comercializa, fornece tecnologia e presta serviços ao setor.
Quem está na atividade conhece os desafios
O encontro combinou a apresentação do programa estadual com uma oficina participativa, conduzida pelo consultor do Sebrae-SP Anderson Gualtieri Corrêa. Durante a dinâmica, os participantes foram convidados a identificar os principais gargalos da cadeia do milho e apontar oportunidades que poderão orientar o planejamento das próximas etapas.
“O nosso principal objetivo aqui é a escuta ativa: ouvir quem está no campo e no comércio, entender as reais necessidades da cadeia e definir as prioridades conjuntas. Não viemos impor fórmulas prontas; o papel do Sebrae é estimular e apoiar o setor produtivo a enxergar novos caminhos e oportunidades de mercado”, destacou Anderson.
Essa participação é fundamental porque os desafios enfrentados pelo produtor frequentemente repercutem em toda a cadeia. Questões relacionadas a custos, logística, tecnologia, financiamento e comercialização também afetam empresas fornecedoras e prestadoras de serviços. Quando esses setores conseguem trabalhar de maneira articulada, aumentam as possibilidades de encontrar soluções conjuntas.
A consultora de negócios do Sebrae-SP, Ariadne Zanin, explicou que o SP Produz busca reconhecer e fortalecer as vocações econômicas dos municípios paulistas, incentivando a organização de cadeias produtivas.
“O programa SP Produz foi desenhado justamente para reconhecer e dar tração à vocação dos municípios paulistas. Guaíra já provou sua capacidade de articulação e governança ao se consolidar como polo regional. Estruturar agora a CPL do Milho é valorizar ainda mais o produtor, atrair inovação e abrir novas perspectivas para a economia regional”, pontuou Ariadne.
Sindicato Rural assume a coordenação
Para transformar as discussões em um projeto estruturado, o Sindicato Rural de Guaíra assumirá a função de entidade gestora da futura CPL do Milho. A instituição ficará responsável por coordenar a elaboração do projeto técnico que será encaminhado à Secretaria de Desenvolvimento Econômico do Estado, buscando o reconhecimento oficial.
A diretora do Sindicato Rural, Nilda Pereira, destacou que a iniciativa pretende reunir todos os segmentos que participam da atividade, criando uma representação mais ampla e organizada.
“Assumir a gestão da CPL do Milho é uma responsabilidade que reflete diretamente a força e a tecnologia da nossa lavoura. O produtor de Guaíra tem alta capacidade de entrega, e o nosso papel como entidade gestora a partir de agora é unir de forma sólida todos os elos, do agricultor às revendas e indústrias, para que o município ganhe ainda mais representatividade, força política e econômica junto ao Estado”, destacou Nilda.
Capacitação para produtores e empresas
Uma das frentes importantes da iniciativa será a capacitação profissional, que contará com a parceria entre o Sistema FAESP/SENAR-SP, o Sebrae-SP e o Sindicato Rural de Guaíra. A atuação conjunta permitirá articular conhecimentos técnicos, qualificação e ferramentas de gestão para atender às necessidades identificadas pelos próprios participantes da cadeia produtiva.
A proposta é aproximar a formação profissional dos desafios enfrentados no dia a dia, tanto nas propriedades rurais quanto nas empresas que fornecem produtos e serviços ao agronegócio. Gestão, produtividade, novas tecnologias e desenvolvimento empresarial estão entre as áreas que poderão ser contempladas, conforme as prioridades estabelecidas no projeto.
A integração entre as instituições representa uma oportunidade para que o conhecimento técnico chegue a diferentes segmentos do setor, contribuindo para melhorar processos, estimular a inovação e preparar produtores, trabalhadores e empresários para um mercado cada vez mais competitivo.
Uma oportunidade que vai além da porteira
A iniciativa também amplia as possibilidades de participação das empresas que abastecem o agronegócio regional. Revendas de insumos, concessionárias de máquinas, empresas de irrigação, transportadoras, armazéns, profissionais especializados e fornecedores de tecnologia fazem parte de um ambiente econômico que pode se beneficiar de maior integração e planejamento.
Guaíra já possui o reconhecimento estadual da CPL do Agronegócio da Irrigação, sob gestão e liderança técnica da Associação Guairense de Engenheiros e Agrônomos (AGEA). A estruturação de uma segunda cadeia, agora voltada ao milho, poderá complementar esse trabalho e fortalecer a posição do município como polo de produção, tecnologia e serviços agrícolas.
O reconhecimento estadual, caso seja conquistado, poderá facilitar a articulação de projetos de inovação, qualificação e acesso a instrumentos de fomento, conforme os critérios dos programas existentes. Entretanto, os resultados dependerão da participação dos envolvidos, da qualidade do projeto e da continuidade das ações propostas.
O desafio agora é transformar a disposição demonstrada no encontro em uma organização capaz de produzir resultados concretos. Afinal, quando o agronegócio cresce de maneira integrada, as oportunidades não ficam restritas a quem planta. Elas também chegam a quem fornece, transporta, comercializa, presta serviços e ajuda a manter em movimento a economia de Guaíra e região.
Fonte: REVISTA AGRO S/A

