



Ler, criar e compartilhar: nas bibliotecas do Instituto Oswaldo Ribeiro de Mendonça (IORM), a poesia ganhou diferentes formas nas Oficinas de Literatura de setembro. Com atividades em Guaíra, Ipuã, Miguelópolis e Orlândia, a programação ampliou o repertório literário dos estudantes e apresentou a diversidade do gênero lírico, que reúne textos voltados à expressão de sentimentos e emoções. A proposta valorizou a leitura como experiência coletiva, com espaço para a participação e as descobertas de cada aluno.
O conceito e a proposta das oficinas foram elaborados pela bibliotecária consultora Maria das Graças Garcia. As atividades foram conduzidas pelas responsáveis pelas bibliotecas: Laura Alves, em Guaíra; Maria Laura Ferro, em Ipuã; Bruna Sabino, em Miguelópolis; e Gislene Felix Razanauska, em Orlândia.
Guaíra: um hino sobre a dança ganha forma de história em quadrinhos
Em Guaíra, os estudantes conheceram o hino, uma das formas do gênero lírico, e foram convidados a criar, em grupo, um texto sobre a dança. Laura Alves apoiou a coleta de palavras e a organização do texto, ajudando os alunos a transformar suas ideias em uma criação coletiva.
Durante a oficina, os participantes aprenderam que o hino une pessoas em torno de sentimentos e de uma identidade comum. Sua linguagem enfática e grandiosa, marcada pelo respeito, permite que seja cantado ou declamado em cerimônias.
Depois da criação, Laura adaptou o hino para a linguagem das histórias em quadrinhos. Os alunos puderam acompanhar como palavras e imagens se combinam em uma narrativa que se desenvolve quadro a quadro. A turma acompanhou o processo com concentração e se encantou com o resultado, que ficou exposto na biblioteca.
Em Ipuã, haicais e sonetos convidam à descoberta da poesia
Em Ipuã, o encontro com o haicai colocou os estudantes no centro da aprendizagem. Maria Laura Ferro apresentou materiais impressos sobre essa forma poética de origem japonesa, que registra, em poucas palavras, um momento, uma imagem ou um sentimento.
A oficina abordou a tradição que deu origem ao haicai, consolidada no Japão no século XVII, e apresentou o modelo de três versos sem rimas, com a contagem de cinco, sete e cinco sílabas como referência para a atividade.
Para aproximar os alunos desse contexto, foram utilizados uma bandeira impressa do Japão e atlas abertos no continente asiático. Os estudantes localizaram o país no mapa, usaram bandanas japonesas e registraram a experiência em fotos. Também assistiram ao vídeo “Três Haicais de Leminski” e puderam participar da leitura de trechos do livro Haicais para crianças, de Terezinha Manczak.
Na sequência, o vídeo “O que é soneto?” detalhou informações sobre esta forma de poema para as crianças. Em vez de começar pelas regras mais complexas da métrica, a forma poética foi apresentada como uma “caixinha de música” ou um “prédio de quatro andares”. As imagens ajudaram a compreender a estrutura trabalhada na oficina: 14 versos organizados em duas estrofes de quatro versos e duas de três.
A oralidade e o ritmo também fizeram parte da descoberta. Poemas de forte musicalidade de Vinicius de Moraes e Cecília Meireles, adaptados para a infância, foram lidos em voz alta. Com palmas, os alunos marcaram o ritmo e o final de cada verso.
Para encerrar, a palavra “soneto” foi pintada, recortada e colada no mural “Criação coletiva do Mundo dos Sonetos”. A produção reuniu a participação dos estudantes em uma composição visual que convida a ser fotografada e compartilhada.
Miguelópolis e Orlândia: poemas escolhidos pelos alunos aproximam leitores
Nas bibliotecas de Miguelópolis e Orlândia, a poesia foi vivenciada em encontros coletivos e interativos, integrados a um evento cultural dedicado à sua valorização. A mesma proposta foi desenvolvida nas duas cidades, com a organização de Bruna Sabino e Gislene Felix Razanauska.
Os estudantes escolheram os poemas que desejavam ler e participaram com leques líricos confeccionados por eles mesmos. A leitura compartilhada abriu espaço para a reflexão e para a construção de interpretações próprias. Assim, o contato com o texto se tornou uma experiência social, dinâmica e emocionante, na qual cada leitor pôde contribuir com seu olhar.
A programação também incluiu atividades de aproximação com o pensamento do filósofo alemão Friedrich Nietzsche. Com o apoio do atlas, os alunos localizaram a Alemanha no continente europeu e conheceram o período em que ele viveu: nasceu em 1844 e morreu em 1900, aos 55 anos.
Em outros encontros, os estudantes receberam folhas com frases de “Assim Falou Zaratustra” impressas em tracejado. A proposta foi cobrir os traços, sublinhar as frases e pendurá-las no “Varal da Frase Filosófica”, reunindo o contato com a escrita e a reflexão sobre o texto.
O percurso foi encerrado ao som da composição Assim falou Zaratustra, de Richard Strauss, em gravação sob a regência do maestro Herbert von Karajan. A experiência aproximou literatura, filosofia e música em um mesmo processo de aprendizagem.
As Oficinas de Literatura integram o Projeto IORM Cultural 2026, realizado pelo Instituto Oswaldo Ribeiro de Mendonça e pelo Ministério da Cultura. A iniciativa reafirma o compromisso de democratizar o acesso à arte, incentivar a formação de leitores e ampliar horizontes de cidadania por meio da palavra. Nas bibliotecas do IORM, a educação pela arte se concretiza em experiências que despertam a curiosidade, valorizam a participação e aproximam pessoas.

