Como a profissão de cabeleireiro conquistou Gilmar Soares

Entrevistas
Guaíra, 11 de fevereiro de 2020 - 16h13

Gilmar Soares, cabeleireiro e empreendedor, é casado com Denise e informa, com orgulho,  que é pai das três Marias: Maria Clara,  Maria Julia  e Maria Luiza. Nascido e criado em nossa cidade, é proprietário de quatro pequenas empresas: G&D (“G” de Gilmar e “D” de Denise), começou com um Salão de Beleza e depois desmembrou para G&D Barbearia; posteriormente, Espaço G&D (que é uma área de lazer para festas e eventos) e é ainda sócio de outra empresa, “Beaut  Prime”, que revende produtos de beleza em associação com seu amigo Silvio. Começou com um pequeno salão de 3X3, ampliou com auxílio da esposa Denise e hoje é um profissional de sucesso que colabora com o Hospital do Amor, de Barretos, fazendo a doação de cabelos para aquela entidade.

O que faz as suas empresas de cabelo e beleza serem diferentes?

Em primeiro lugar, acho que é fazer as grandes e pequenas coisas com dedicação, ou seja, fazer o que gosta. Atender o cliente com a máxima cortesia, com naturalidade, com educação, automaticamente, este cliente vai gostar.

Seu cliente sempre volta?

Sempre! O cliente vai se tornando em amigo.

Existem ainda aquelas pessoas que trazem fotos e pedem para fazer o cabelo igual?

Sim, isso hoje é muito normal. A internet é uma ferramenta que tornou isso muito fácil. O cliente já vem para fazer um corte de cabelo, ou uma mudança, com o celular na mão, com o modelo que ele quer! E aí a gente vai tentar aproximar ao máximo daquela expectativa dele. Tentamos adequar aquele corte, aquele modelo, sempre atento ao tipo de cabelo dele, se é compatível à imagem que ele trouxe. 

Quando isso não acontece, você é sincero com o cliente?

Às vezes acontece! Principalmente com o feminino. Muitas vezes, a ideia que ela traz vem com o cabelo escovado, com maquiagem, então, tentamos trazer aquela imagem dentro da realidade dela. Orientar de como ela pode usar aquele cabelo no dia a dia, enfim, tentar aproximar ao máximo à perspectiva dela. Muitas vezes não é somente o corte que ela necessita, pode ocorrer que aquele cabelo necessite de outros serviços.

Aí você oferece estes outros serviços?

Sim, ofereço!  Muitas vezes aquele cabelo não está preparado para aquele corte específico, ou para a mudança de cor, então, preparo antes, ajusto para chegar ao tom da cor desejada ou da mudança do corte. 

Como surgiu esta profissão na sua vida?

Eu trabalhava, aos 16 anos, na COMAP, materiais de construção, como guardinha e um dia, na volta para casa, de bicicleta, parei na casa da minha madrinha e o Jessé, que era um vizinho, estava pedindo dinheiro para a mãe dele para cortar o cabelo. E eu, brincando, falei que eu cortaria o cabelo dele no outro dia!

E cortou?

(risos) No outro dia, no horário combinado ele estava lá me esperando! Eu fui obrigado a cortar o cabelo dele. Minha mãe costurava as roupas de casa, fazia tapetes, eu a ajudava desde os 8 anos de idade. Tinha intimidade com a tesoura, cortando panos, retalhos. Eu não sabia, mas já estava preparando meu espírito empreendedor… Peguei a tesoura da minha mãe, peguei uma toalha de banho,  joguei nas suas costas  e cortei o  cabelo do Jessé.

E ficou bom?

Em minha opinião, o cabelo não tinha ficado tão bom, mas o pessoal ali da minha comunidade, que é um pessoal muito humilde, gostou! Na verdade, fiz o meu máximo naquele cabelo. Depois disso, veio um amigo, veio outro, mesmo eu dizendo que não sabia cortar,  mas insistiam para que eu cortasse como eu cortei o do Jessé.

Começou assim?

Desta maneira! Fui reparando como o Silvano cortava o meu próprio cabelo. Fui cortando cabelos dos amigos da loja, amigos do escritório e automaticamente fui melhorando. Ganhei uma máquina do Leandro, naquela época, fui praticando e, aos 18 anos, iniciei um curso de 3 anos no SENAC, em Bebedouro, onde eu ia duas vezes por semana. 

Então…

Com 19 anos, trabalhava na Colorado e decidi pedir conta na Usina. Voltei todas as energias para a minha profissão. No dia 10 de junho de 2003, fechei um ciclo como trabalhador na Usina e iniciei, nesta mesma data, o salão que era somente “Gilmar Cabeleireiro”. 

E a Denise?

Então, nesta época, comecei a namorar a Denise, foi uma bênção na minha vida! Ela já estava desenvolvendo algumas habilidades fazendo unha e sobrancelha, se interessou pelo salão. Não paramos mais!  Ela abraçou comigo esta profissão, além de herdar da mãe a desenvoltura para com as unhas, também fez cursos, começou fazendo escovas, chapinha, ela aprendeu muito com uma pessoa especial, que é a Rosinha, trabalhou com ela no salão e, quando ela voltou, já trouxe uma sabedoria imensa que a Rosinha passou para ela. Ela é minha esposa, companheira, parceira, amiga, mãe das 3 Marias.

Depois de todos estes anos, você acha que na sua vida foi “sorte”, “trabalho” ou “Deus”?

Olha, “sorte” eu nunca achei que fosse, mas Deus está comigo desde sempre. Deus está ao meu lado, me dando bons pensamentos, boas visibilidades dando força para que pudesse encarar a vida, sem ter muito estudo, sem ter vindo de família de posses, mas Ele me deu oportunidade para eu enxergar alternativas na minha profissão, que agarrei com vontade.

Acertou sempre?

Esta vida oferece um ensinamento todos os dias. A gente erra, acerta! São quase 20 anos de uma profissão que eu amo. Continuo estudando tanto sobre negócios, como aperfeiçoando no ofício da barbearia. Ter seu próprio negócio não é fácil.

Deixe uma frase, um agradecimento.

Sou grato à vida! Agradeço a Deus, que sempre esteve comigo, à minha mãe, que sempre acreditou em mim desde o começo. Ela ia cortar o cabelo, me levava junto para que eu visse e aprendesse, abriu as portas da casa dela para meu primeiro salão. Sempre me abraçou, principalmente nas dificuldades, dizia palavras de incentivo, nunca me deixou desanimar. Minha esposa também sempre foi parceira, as 3 Marias que já querem seguir o caminho das “tesouras”, muitas pessoas que acreditaram em mim, sou grato a todas elas.

Tenho duas frases que trago comigo, que estão escritas em um muro e eu as lia todos os dias que diz: “A vida é dura para quem é mole”, eu criava uma energia quando lia esta frase, e outra: “Sucesso é uma decisão”.. Essa é uma verdade irrefutável; nós decidimos ter ou não sucesso. Deus me encaminhou para o caminho certo.

 


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