Durante meses, eles falaram.
Falaram nos palanques, nas ruas, na televisão, nas redes sociais. Prometeram, explicaram, acusaram, defenderam, sorriram para câmeras e repetiram inúmeras vezes por que merecem o seu voto.
Hoje, porém, acontece algo curioso.
Eles se calam.
Porque existe um pequeno espaço onde nenhum candidato pode entrar com você. Não cabem discursos, pesquisas, santinhos, aplausos, militâncias ou multidões.
Diante da urna, cabe apenas a sua consciência.
E talvez esteja justamente aí uma das maiores forças da democracia. Por alguns segundos, pouco importa quanto dinheiro alguém possui, quantos seguidores acumula ou quantas pessoas consegue reunir em uma praça. Naquele instante, o voto de cada cidadão possui exatamente o mesmo peso.
É fácil reclamar da política durante quatro anos. Fácil apontar erros, criticar governos, condenar decisões e dizer que nada funciona. Mais difícil é compreender que, de tempos em tempos, uma pequena parte dessa responsabilidade também chega às nossas mãos.
Hoje é um desses dias.
Não se trata apenas de escolher nomes. Estamos entregando poder. Poder para fazer leis, administrar recursos públicos, definir prioridades e tomar decisões que alcançarão pessoas que talvez nunca tenham sequer ouvido falar em quem você escolheu.
Por isso, votar não deveria ser um gesto de raiva, gratidão, amizade ou vingança. Tampouco uma escolha feita apenas porque alguém mandou, porque a maioria parece pensar assim ou porque um vídeo de poucos segundos apareceu repetidas vezes na tela do celular.
A urna exige muito pouco de nós.
Alguns minutos.
Mas aquilo que decidimos nela pode acompanhar o país por anos.
Talvez seja essa a ironia da eleição. Passamos meses ouvindo milhares de palavras para chegarmos a um momento profundamente silencioso.
Você diante de uma tela.
Você diante de alguns números.
Você diante da própria consciência.
Depois virão os resultados. Alguns irão comemorar. Outros lamentarão. A democracia, porém, exige algo maior dos dois lados: entender que eleição não é guerra e adversário político não precisa se transformar em inimigo pessoal.
Amanhã continuaremos morando nas mesmas cidades, frequentando as mesmas ruas, trabalhando juntos, encontrando amigos e dividindo o mesmo país.
A eleição passa.
O Brasil fica.
Por isso, antes de apertar a tecla verde, talvez valha apenas alguns segundos de silêncio.
Sem torcida.
Sem paixão.
Sem ninguém dizendo o que você deve fazer.
Porque durante meses a pergunta foi dirigida aos candidatos:
O que vocês pretendem fazer pelo Brasil?
Hoje, finalmente, a pergunta muda de lado:
O que você pretende fazer com o seu voto?

