Até o barulho tem limite

Editorial
Guaíra, 23 de setembro de 2026 - 07h58

São 23 horas. Para quem está fazendo a festa, a noite pode estar apenas começando. Para quem precisa acordar cedo para trabalhar, estudar ou simplesmente descansar, o dia já deveria ter terminado. A mesma música que embala uma casa pode transformar a noite da casa ao lado em uma longa espera pelo silêncio.

 

É aí que uma regra simples de convivência costuma ser esquecida: o direito de cada um termina onde começa o direito do outro. E isso inclui o direito ao sossego.

 

Ninguém está dizendo que as pessoas não podem comemorar, receber amigos, ouvir música ou aproveitar a noite. A cidade não pode ser um lugar onde toda manifestação de alegria seja vista como problema. Mas também não pode ser um lugar onde a diversão de alguns obrigue outros a perder o sono dentro da própria casa.

 

O problema não é a música. É o limite.

 

Quando o prazer de um depende do incômodo do outro, alguma coisa saiu do lugar. E não se trata apenas de decibéis. Trata-se da dificuldade de reconhecer que, depois da nossa porta, existe alguém que também tem direitos, compromissos e necessidades.

 

Quem precisa descansar não deveria ter de explicar por que precisa de silêncio.

 

Todos sabemos defender os nossos direitos. O difícil parece ser lembrar que o outro também tem direitos.

 

Viver em sociedade não significa abrir mão da liberdade. Significa compreender que liberdade sem limite pode se transformar em invasão. O bom senso deveria chegar antes da reclamação, da fiscalização e da intervenção de qualquer autoridade.

 

Porque existem situações em que nenhuma regra substitui aquilo que deveria ser mais simples: perceber que estamos incomodando alguém e diminuir o volume.

 

Talvez essa seja uma das medidas mais elementares da convivência. Não perguntar apenas “eu posso?”, mas também “até onde o que eu faço interfere na vida do outro?”

 

Diversão é direito. Liberdade também. Mas o outro também existe.

 

O direito de cada um termina onde começa o direito do outro.


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