Há pessoas que, diante de um copo com água pela metade, enxergam primeiro aquilo que falta. Outras conseguem perceber também aquilo que já está ali.
Na vida pública, não é muito diferente.
Uma cidade precisa de pessoas que cobrem, fiscalizem e apontem o que precisa melhorar. Isso é saudável e necessário. Mas existe uma diferença entre enxergar o que precisa ser corrigido e ser incapaz de reconhecer o que deu certo.
A conquista do Selo Prata TCESP Ouvidoria Cidadã é um exemplo.
O reconhecimento, concedido pelo Tribunal de Contas do Estado de São Paulo, representa uma avaliação positiva de práticas adotadas pela Ouvidoria. Não significa que tudo esteja perfeito, nem que não existam problemas a serem enfrentados.
Mas será que, por isso, a conquista deixa de ser importante?
É possível reconhecer um avanço e continuar cobrando outros. É possível elogiar uma iniciativa sem transformar isso em apoio político. É possível, simplesmente, reconhecer um fato.
O problema aparece quando a preferência política passa a determinar até aquilo que merece ser reconhecido.
Para alguns, o copo estará sempre meio vazio. Não importa quanto já tenha sido colocado nele; o olhar estará permanentemente concentrado naquilo que falta.
A questão não seja decidir se o copo está meio cheio ou meio vazio. Talvez seja perguntar por que algumas pessoas se preocupam mais em apontar o que falta do que em reconhecer aquilo que já foi conquistado.
No fim, a cidade não ganha quando fatos positivos são diminuídos apenas porque não combinam com determinadas preferências políticas. Da mesma forma, também não ganha quando problemas são ignorados apenas porque favorecem quem está no poder.
O que a população merece é equilíbrio: reconhecer quando há acertos e cobrar quando há erros.
Tem gente que só consegue enxergar o que quer. Há aqueles que preferem enxergar apenas aquilo que confirma o que já pensam. E há quem escolha olhar para os fatos, mesmo quando eles contrariam suas preferências.
E você, a qual desses grupos pertence?

