Pobre menino rico

Editorial
Guaíra, 3 de junho de 2017 - 09h53

Quando Susane Von Richtofen planejou o assassinato de seus pais em 2002, estava também acabando com a vida de seuirmão Andreas.

Depois que Andreas Von Richthofen foi internado, nesta semana, na ala psiquiátrica de um hospital em São Paulo, após ser retirado da Cracolândia, pessoas que estiveram com ele nos últimos meses rememoraram detalhes que poderiam ser sinais de que o rapaz, doutor em Química pela Universidade de São Paulo, entrava em um novo momento difícil na vida. De acordo com os relatos, ele vinha se vestindo com cada vez mais displicência, seus dentes da frente teriam começado a apresentar marcas. Apesar disso, todos os amigos ou conhecidos se disseram surpreendidos pelo episódio.

“Ele é um menino fantástico, esteve no meu escritório há dois anos para me visitar e estava cheio de planos, concluindo o doutorado, com a carreira acadêmica a toda, propostas de universidades e empresas. Ao mesmo tempo, o inventário da família finalmente começava a se resolver, ele estava se livrando dessa tralha do passado”, afirmou o advogado e ex-procurador Roberto Tardelli, responsável pela acusação criminal de Suzane, seu namorado Daniel Cravinhos e o cunhado Cristian Cravinhos.

Tardelli, no entanto, ressalta que Andreas teria “todos os motivos para ser infeliz”. Quando a irmã matou os pais, ele perdeu praticamente toda a família. Sobraram apenas a avó, já falecida, e um tio materno, o médico Miguel Abdalla, que foi tutor de Andreas até a maioridade. O rapaz tímido perdeu ainda o melhor amigo, o cunhado Daniel, que costumava levá-lo para jogar jogos online em lanhouses.

A disputa da herança com a irmã, que acabou deserdada por decisão da Justiça, também custou caro à saúde mental de Andreas. Ela era a pessoa em que ele mais confiava e o rapaz oscilava entre nunca mais querer contato e a vontade de se reaproximar de Suzane.

Nos próximos meses, porém, as questões de herança, a carreira acadêmica ou o relacionamento com a irmã e o tio terão que ficar de lado. Andreas aceitou se tornar um dentre os mais de 100 internados na Casa de Saúde São João de Deus. Sua permanência na unidade será custeada pelo SUS. Ali ele deve se dedicar a uma rotina de atividades lúdicas, artesanais e de jardinagem, além de tratamento psiquiátrico.


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