O futuro também envelhece

Editorial
Guaíra, 26 de julho de 2026 - 08h06

Neste 26 de julho, Dia dos Avós, fotografias serão publicadas, lembranças ganharão palavras e muitas famílias agradecerão pelo carinho e pelos ensinamentos recebidos. As homenagens são merecidas, mas a data deveria deixar uma pergunta depois que as mensagens desaparecerem das redes sociais: estamos realmente preparados para respeitar essas pessoas durante todos os outros dias do ano?

A população com mais de 60 anos cresce continuamente, mudando o perfil das famílias, das cidades e do próprio país. Nunca tivemos tantos avós presentes, ativos e participativos. Muitos continuam trabalhando, empreendendo, estudando, viajando, consumindo e aprendendo novas tecnologias. Outros, porém, enfrentam solidão, limitações, dificuldades financeiras e abandono, quase sempre escondidos atrás da imagem confortável de que toda velhice é tranquila e cercada de afeto.

O problema é que a sociedade envelheceu mais rapidamente do que a nossa maneira de pensar. Continuamos planejando ruas, transportes, serviços, empresas e políticas públicas como se a população idosa fosse uma pequena exceção estatística. Criamos cidades que exigem pressa de quem já precisa caminhar com cuidado, tecnologias que avançam sem ensinar quem ficou para trás e ambientes de trabalho que confundem experiência com ultrapassagem.

Essa contradição também aparece dentro de casa. É fácil publicar uma fotografia com os avós no dia 26, escrever que eles são exemplos e repetir o quanto são importantes. Difícil é ter paciência quando repetem uma história, oferecer companhia quando a rotina aperta, respeitar suas decisões e compreender que envelhecer não retira de ninguém o direito de participar da própria vida.

Falar sobre os idosos, portanto, não é falar apenas sobre os outros. Cada decisão tomada hoje sobre saúde, mobilidade, acessibilidade, trabalho e qualidade de vida está construindo o lugar onde todos nós viveremos amanhã. O envelhecimento não é um problema distante, mas o destino natural de quem tiver o privilégio de viver por mais tempo.

O Dia dos Avós precisa ser uma data de carinho, mas não pode servir como uma confortável absolvição coletiva. Não adianta cobrir os idosos de palavras bonitas enquanto os tratamos como peso, custo ou obstáculo nos outros 364 dias do ano. Respeitar quem envelheceu não é apenas agradecer pelo passado. É reconhecer que essas pessoas continuam pertencendo ao presente.

No fim, a maneira como tratamos os nossos avós revela muito menos quem eles são e muito mais quem nós seremos.


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