Você tem poder?
Provavelmente, sim. A questão é outra: você sabe que tem?
Você escolhe. Concorda ou discorda. Pergunta. Cobra. Vota. Pode retirar seu apoio, exigir explicações ou simplesmente dizer não. Parece pouco. Não é. É justamente aí que começa o poder.
O curioso é que muita gente tem poder e quase nunca o exerce.
E então acontece algo conveniente para quem está do outro lado: alguém ocupa uma cadeira, recebe um cargo, conquista dinheiro ou influência e, pouco a pouco, passa a parecer maior do que realmente é.
Não porque tenha se tornado maior.
Porque nós diminuímos.
É aí que o poder muda de mãos.
Não quando alguém manda.
Mas quando percebe que pode mandar sem ser questionado.
O poder é entregue quando deixamos de perguntar. Quando aceitamos uma resposta apenas porque veio de uma autoridade. Quando confundimos respeito com submissão. Quando reclamamos entre quatro paredes, mas nos calamos justamente diante de quem deveria nos ouvir.
E há uma ironia nisso: passamos tanto tempo reclamando de quem manda que, às vezes, esquecemos de perguntar por que continuamos obedecendo.
Poder não é apenas mandar.
Às vezes, poder é simplesmente não entregar a outra pessoa uma decisão que ainda pertence a você.
Talvez você tenha mais poder do que imagina.
Talvez só tenha aprendido a não usá-lo.
E aqui está a pergunta que realmente importa:
Se você tem poder, por que está deixando outra pessoa exercê-lo em seu lugar?
Porque o poder mais fácil de perder não é aquele que alguém toma de nós.
É aquele que entregamos — e depois reclamamos que nos foi tirado.

