Proibir ou educar?

Editorial
Guaíra, 17 de junho de 2026 - 09h35

A decisão do Reino Unido de restringir o acesso de menores de 16 anos às redes sociais reacendeu um debate que certamente chegará a muitos outros países nos próximos anos. A preocupação é legítima. Os riscos existem. O vício digital, o cyberbullying, os golpes, a exposição a conteúdos inadequados e até o uso criminoso da inteligência artificial são desafios reais de nosso tempo.

Mas será que a resposta está na proibição?

A pergunta merece reflexão.

Se seguirmos a lógica do perigo como justificativa para impedir o acesso, talvez também devêssemos proibir adolescentes de sair às ruas. Afinal, as ruas também oferecem riscos. Há violência, acidentes, drogas, más companhias e inúmeras situações que podem colocar jovens em perigo.

No entanto, a sociedade nunca resolveu esses problemas trancando seus filhos dentro de casa. O caminho sempre foi outro: educação, orientação, vigilância responsável e preparo para enfrentar o mundo real.

A internet é, cada vez mais, uma extensão desse mundo.

As redes sociais e as ferramentas de inteligência artificial representam riscos, mas também oportunidades extraordinárias. São ambientes onde jovens estudam, empreendem, aprendem idiomas, desenvolvem habilidades profissionais, criam negócios e acessam conhecimentos que gerações anteriores jamais imaginaram alcançar.

O desafio não está apenas em limitar o acesso, mas em ensinar o uso consciente.

Talvez a grande discussão do século XXI não seja sobre quem pode entrar na internet, mas sobre quem está preparado para navegar nela.

Da mesma forma que ensinamos uma criança a atravessar uma rua movimentada, precisamos ensiná-la a identificar notícias falsas, golpes virtuais, manipulações emocionais, perfis fraudulentos e conteúdos produzidos por inteligência artificial com o objetivo de enganar.

E aqui surge um ponto ainda mais importante.

Se uma ferramenta de inteligência artificial for utilizada para cometer crimes, fraudes, difamações ou extorsões, a responsabilidade deve recair sobre quem a utilizou de forma indevida. Assim como não culpamos a estrada por um acidente provocado por imprudência, também não podemos atribuir toda a culpa à tecnologia quando o problema está no comportamento humano.

Ferramentas não possuem caráter. Pessoas possuem.

A internet não substituirá a educação. A inteligência artificial não substituirá os valores. Nenhuma lei conseguirá proteger completamente uma geração que não tenha sido preparada para exercer responsabilidade e discernimento.

Proibir pode parecer uma solução rápida. Educar é mais difícil, mais lento e exige esforço coletivo. Mas a história mostra que sociedades fortes não são construídas pela exclusão do risco, e sim pela formação de cidadãos capazes de enfrentá-lo.

A verdadeira proteção não está em fechar as portas do mundo digital.

Está em ensinar nossos jovens a caminhar por ele.


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