
Você recebe uma mensagem dizendo que sua conta será bloqueada. Pouco depois, uma ligação informa que houve uma compra suspeita no seu cartão. Em seguida, chega um pedido de Pix enviado pelo número de alguém conhecido.
Tudo parece possível. E é justamente aí que mora o perigo.
Os golpes virtuais deixaram de ser um problema associado a um determinado perfil de vítima. Jovens, adultos e idosos estão na mira de criminosos que exploram a pressa, a distração, o medo e até a confiança das pessoas para conseguir dinheiro ou informações pessoais.
Uma pesquisa do DataSenado mostra a dimensão do problema. 24% dos brasileiros com 16 anos ou mais afirmaram já ter sido vítimas de algum golpe digital, o que representa uma estimativa superior a 40 milhões de pessoas que perderam dinheiro em fraudes.
E há um dado que desmonta uma ideia bastante comum: os jovens aparecem entre os grupos mais atingidos. Segundo o levantamento, 27% das vítimas tinham entre 16 e 29 anos. Entre as pessoas com mais de 60 anos, o percentual foi de 16%.
O criminoso, portanto, não precisa escolher uma idade. Precisa encontrar uma oportunidade.
O golpe explora a pressa
Boa parte das fraudes funciona porque cria uma situação que exige uma reação imediata.
Uma suposta compra precisa ser cancelada. Uma conta estaria prestes a ser bloqueada. Um familiar precisa de dinheiro. Uma encomenda foi retida. Uma promoção tem prazo de poucos minutos.
O objetivo é fazer com que a vítima reaja antes de pensar.
É nesse momento que entram links falsos, páginas que imitam bancos, perfis clonados, mensagens pelo WhatsApp e ligações nas quais o criminoso se apresenta como funcionário de uma instituição conhecida.
A tecnologia tornou esses golpes ainda mais convincentes. Recursos de inteligência artificial podem ajudar na criação de textos, imagens, vozes e outros conteúdos capazes de aumentar a sensação de autenticidade da fraude.
O golpe pode parecer diferente a cada dia. A estratégia, porém, continua praticamente a mesma: ganhar a confiança da vítima e reduzir o tempo que ela tem para desconfiar.
Quando o criminoso entra pelo celular
O crescimento das fraudes acompanha uma transformação simples da vida cotidiana. Hoje, o celular concentra conversas, documentos, redes sociais, compras, contas bancárias e transferências de dinheiro.
Para o usuário, é praticidade.
Para o criminoso, uma oportunidade.
Levantamento citado pelo Senado aponta crescimento de 13,6% nos registros de estelionato digital entre 2022 e 2023. O avanço mostra que a criminalidade também está se adaptando aos hábitos de uma sociedade cada vez mais conectada.
E existe outro problema: muitas vítimas não procuram ajuda ou não registram a ocorrência. Vergonha, medo e a sensação de que “não vai adiantar” acabam favorecendo o silêncio.
Esse silêncio, por sua vez, dificulta dimensionar o tamanho real do problema.
Desconfiar antes de clicar
Não existe uma fórmula capaz de eliminar completamente o risco, mas alguns cuidados simples podem interromper a maioria das tentativas.
Recebeu uma mensagem urgente? Pare. Não clique imediatamente em links enviados por desconhecidos e não forneça senhas, códigos de autenticação ou dados bancários.
Alguém conhecido pediu dinheiro pelo WhatsApp? Confirme por outro meio. Uma ligação pode evitar que uma fotografia, um nome ou uma conta clonada convença você a fazer uma transferência.
Recebeu uma ligação do banco informando uma movimentação suspeita? Não siga instruções de quem ligou. Encerre a chamada e procure o banco pelos canais oficiais.
Uma oferta parece boa demais? Desconfie. Pesquise a empresa, confira o endereço do site e evite pagamentos antecipados sem verificar a procedência.
E talvez a regra mais importante seja a mais simples:
Quando alguém tenta fazer você agir com pressa, faça exatamente o contrário. Pare e confira.
O celular mudou a maneira como trabalhamos, compramos, conversamos e movimentamos dinheiro. Os criminosos perceberam essa mudança e passaram a explorar cada uma dessas portas.
Hoje, o golpe pode chegar a qualquer hora, por qualquer tela e para qualquer pessoa.
Não existe idade para cair em um golpe. Existe apenas o momento em que alguém consegue fazer você acreditar antes de fazer você pensar.
Fonte: Senado Federal / DataSenado.

