
Você encontra o produto que estava procurando, entra na loja virtual, escolhe a forma de pagamento e chega à última etapa da compra.
O valor está correto.
O nome da loja é conhecido.
O produto existe.
Tudo parece normal.
Então você aponta a câmera do celular para o QR Code, abre o aplicativo do banco e confirma o Pix.
Compra paga. Problema resolvido.
Ou não.
Existe um detalhe nessa operação que pode passar completamente despercebido e transformar uma compra aparentemente segura em prejuízo: quem está recebendo o dinheiro?
O alerta vem do Procon-SP, que identificou um novo tipo de golpe capaz de alterar o QR Code utilizado no pagamento de compras pela internet. O consumidor pode estar diante de uma loja verdadeira, adquirir um produto que realmente existe e até pagar exatamente o valor anunciado. Ainda assim, o dinheiro pode ser direcionado para uma conta controlada por criminosos.
E não é apenas o QR Code que pode ser adulterado. A fraude também pode atingir o código utilizado na opção “copia e cola” do Pix.
É aí que o golpe ganha uma característica perigosa: não é necessariamente preciso enganar o consumidor sobre a compra. Basta fazer com que ele envie o dinheiro para o destinatário errado.
O detalhe que quase ninguém olha
Quando uma pessoa faz uma compra, é natural que a atenção esteja concentrada no valor.
Se o produto custa R$ 300, ela procura os R$ 300 na tela. Se o valor está correto, a tendência é concluir que está tudo certo.
Mas o aplicativo do banco apresenta outra informação tão importante quanto o valor: quem vai receber aquele dinheiro.
É nesse ponto que o consumidor precisa parar por alguns segundos.
O nome do recebedor e o CNPJ devem ser compatíveis com a empresa onde a compra foi realizada ou com a instituição responsável pelo processamento do pagamento. Se aparecer um destinatário desconhecido ou incompatível com a operação, a transação não deve ser concluída.
A tela pode parecer certa. O preço pode estar certo. A loja pode existir. O problema pode estar escondido justamente no pagamento.
O golpe aproveita a pressa
O Pix transformou a maneira de pagar. Uma transferência que antes poderia exigir alguns passos agora acontece em segundos.
Essa rapidez trouxe praticidade para milhões de pessoas. Mas também criou uma oportunidade para criminosos que sabem que, quanto mais automático for o comportamento do consumidor, menor pode ser a chance de ele conferir todos os detalhes.
É por isso que a pressa é uma das principais aliadas desse tipo de fraude.
Uma compra em promoção. Um prazo terminando. Uma tela de pagamento pronta. Um QR Code esperando apenas a confirmação.
Quanto menos tempo o consumidor gastar olhando, maior a chance de o golpe passar despercebido.
Antes de confirmar, olhe para quem recebe
A recomendação do Procon-SP é simples: antes de concluir um Pix, o consumidor deve conferir cuidadosamente os dados apresentados pelo aplicativo do banco.
Não basta verificar apenas o valor.
Confira o nome do destinatário, o CNPJ, a instituição financeira e se essas informações fazem sentido diante da compra que está sendo realizada.
Se houver qualquer divergência, interrompa a operação e procure a empresa por um canal oficial.
O mesmo cuidado vale para códigos recebidos por mensagens, redes sociais ou outros canais. Na dúvida, não pague até confirmar diretamente com quem deveria receber o dinheiro.
E se o pagamento já foi feito?
Se o consumidor perceber que caiu em um golpe, a orientação é agir rapidamente.
O primeiro passo é procurar imediatamente o banco ou a instituição de pagamento, informar que se trata de uma fraude e solicitar a contestação da operação e a devolução dos valores por meio do Mecanismo Especial de Devolução (MED).
Também é importante comunicar a loja, registrar a ocorrência e guardar comprovantes, mensagens e demais registros relacionados à transação.
O tempo é importante porque, depois que o dinheiro é transferido, a tentativa de recuperação começa a depender de uma corrida contra o relógio.
O Pix pode ser instantâneo. A decisão não precisa ser.
O novo golpe mostra como os criminosos acompanham a tecnologia e procuram justamente os pontos em que o consumidor se sente mais seguro.
O QR Code parece apenas um desenho na tela.
Mas é ele que pode determinar para onde o dinheiro vai.
Por isso, antes de confirmar um pagamento, faça uma última coisa que leva poucos segundos:
pare, olhe e confira quem vai receber.
Porque o golpe pode estar escondido em uma compra verdadeira, dentro de uma loja verdadeira, pelo valor correto.
O Pix foi criado para tornar o pagamento mais rápido. O criminoso também quer que você seja rápido demais para conferir.
Fonte: Procon-SP / Agência de Notícias do Governo do Estado de São Paulo.

