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Guaíra - SP

Jesuíno Jr. e sua dedicação às crianças através do esporte

Jesuíno Henrique de Andrade Junior, 34, nascido em Bom Jesus da Lapa – BA, divorciado, pai de Matheus Henrique de Andrade, de 13 anos, é um apaixonado por tudo que promove a inclusão social. Assim, viu a possibilidade de oferecer o esporte (futebol) aos garotos, que, como ele, necessitam de espaço e orientação. Com isso, criou um Projeto que tira as crianças das ruas e as direciona para o caminho do bem. Deixou claro que nunca fez nada sozinho, é agradecido à família e à comunidade de Guaíra

Homenagem
Guaíra, 25 de fevereiro de 2019 - 15h44


Como aconteceu de vir para nossa cidade?

Quando minha mãe se separou do meu pai biológico, viemos para Guaíra, pois tínhamos família aqui, meus avós, tios… Nessa época, eu tinha uns quatro anos. Aqui, minha mãe conheceu o Roque Pereira dos Santos, que considero como meu pai, hoje não está mais entre a gente, porém tudo que sou e aconteceu de bom na minha vida foi graças a ele. Acredito que a minha maior perda foi o falecimento dele, porque ele era minha base.

 

Então cresceu em Guaíra?

Cresci em Guaíra, participando dos projetos sociais que eram oferecidos através do CRAJ, na época era o Centro de Referência e apoio à Juventude, Rafael Braghiroli, Eliana Delmoni, Gabriel Neto. Naquela época tinha o Alar e graças a esses trabalhos hoje sou quem sou.

 

Você estudou até que série?

Concluí o segundo grau completo, estou cursando faculdade de Educação Física, na Anhanguera aqui na cidade, com aulas semipresenciais. Posso dizer que fui fruto dos projetos sociais. Na minha família, graças a Deus não teve nenhum tipo de problema relacionado a drogas, mas tive problemas e precisei até me internar em 2004, com 17 anos. Todo mundo conhece a minha história, sabe da onde vim e quem sou agora, inclusive, faço meus projetos sociais, de educação com a Marcela e professoras do Enoch, da Dalva com as crianças e adolescentes.

 

Sempre gostou do futebol?

Sempre gostei, era o mais velho, de família pobre, precisei trabalhar, não tinha muito tempo na minha infância de estar participando de campeonatos. As professoras sempre me chamavam para participar e meu pai era rígido e dizia que eu tinha que trabalhar também. Vendia juju, picolé, tinha que ajudar em casa e não tinha tempo para o esporte, que veio depois de ter passado por uma comunidade, graças a Deus ter me encontrado – pois fiquei um tempo fora de uma vida normal, por conta das drogas. Esses problemas que tive quando adolescente ocorreram por curiosidade, por más influências, tem muitas coisas que fazem o jovem esquecer da sua cultura, vida e família, acaba automaticamente se envolvendo com outras coisas, porque está no meio, por querer estar com os amigos. Mas depois que conheci o programa, me encontrei, conheci pessoas do ramo esportivo e comecei a entrar em campeonatos, cheguei a disputar uma final e isso me devolveu a alegria, só que mesmo com muitas dificuldades, no passado, sempre gostei de entrar em campeonatos, montar time, ser responsável, de pedir ajuda no comércio, nunca pedi bebida, só refrigerante e carne.

 

E assim…

Comecei a ver no esporte algo a mais, esse foi o pensamento que me norteou, queria fazer algo diferente e tinha que ser com as crianças, porque são verdadeiras, o sorriso delas é sincero, vejo nelas aquilo que via em mim. Hoje, eles não precisam trabalhar, já têm a escola, os pais, mesmo que a maioria, digamos 90% dos alunos da nossa escolinha (são mais de 100 crianças), os pais são separados. Mesmo assim, eles têm uma casa, escola, não precisam trabalhar e têm essa oportunidade de praticar um esporte gratuito e se conhecerem uns aos outros e fazer novos amigos. Eles se sentem parte do meio esportivo, se sentem importantes de estar neste meio.

 

Há crianças especiais neste meio?

Temos quatro crianças especiais, quando digo isso é porque elas têm uma certa limitação, mas também acolhemos, trabalhamos com inclusão social delas, porque temos várias crianças de diversas classes sociais, idade, alguns altos, outros mais baixos, mas todos são muito bem acolhidos, não é permitido bullying, não é permitido agressão e pregamos muito sobre essa questão de que ali é o lugar deles. Todos somos uma família, uma família diferente, não é o mesmo que pai e mãe, mas que acolhe também e um ajuda o outro.

 

Este é o caminho?

Estamos tentando fazer da mesma forma que muitos clubes fazem, já estive em Porto Alegre, Santos, em outras escolinhas, já conversei com dirigentes, então, queremos trazer essa visão esportiva que eles têm:  de igualdade social, que é feita em todos os clubes e até a forma de treinar, estamos mudando muito. Porque se tiver jogador, vai ser jogador, por que não? Temos meninos que têm muito talento.

 

Você tem ajuda?

A estrutura que temos hoje é um pouco mais avançada, digo na parte de tecnologia, logística… Em questão de transporte tem o pessoal que nos ajuda, principalmente a Aguetoni, que não mede esforços, sempre converso tanto com o Aluísio quanto o Renato (do Supermercado Mutirão), que fornece as frutas. Hoje temos nossos uniformes, graças a eles, conseguimos 80 uniformes, o que já deu uma alavancada. Alguns que têm condições pagam o valor de fábrica – pois algumas mães querem ajudar – já que precisamos de 150 uniformes. Somos sem fins lucrativos, mas precisamos de alguma forma da continuidade. Os 80 uniformes que ganhamos não foram baratos (pela quantidade), porque não foram apenas bermudas e camisas, mas também meias, tudo completo.

 

Como se chama este projeto?

O projeto se chama “Bom de Bola, bom na escola Avante”.

 

Você conta a sua superação de vida para estes garotos??

Conto para eles minha história e digo que o mundo oferece muitas coisas, mas somente as pessoas que estão do nosso lado podem nos ajudar e podem nos mostrar o melhor caminho, porque, às vezes, acabamos saindo fora daquilo que o pai e a mãe ensinam, daquilo que o professor fala.

 

Os alunos te respeitam?

Os alunos me respeitam tanto como presidente da associação, respeitam o senhor Antônio Manoel da Silva, que é o técnico e professor, o senhor Paulo Silva, que também é o auxiliar, a Dani Moisés, que é nossa preparadora física, respeitam todos. Graças a Deus, desde 2015, quando foi fundado o núcleo no campo que leva o nome em homenagem ao Valdemar Moreira (que sempre gostou do futebol se chama Centro Esportivo Valdemar Moreira) fizemos a inauguração… A partir desse momento, nunca tivemos reclamações, tentamos sempre ser claros com as coisas que fazemos, além de divulgarmos tudo que acontece, tanto das viagens, tudo! A prefeitura nos apoia na estrutura, conversei com o Renato Moreira e já está agendado o pessoal dar uma reforma nos buracos, ali o bairro é o José Pugliesi, do lado da quadra do Vera Vitali, a prefeitura concedeu esse espaço para nós desde 2015 e até hoje estamos desenvolvendo esse trabalho.

 

Tem muitas crianças neste projeto?

Por incrível que pareça tenho as fichas até hoje em casa, desde 2015 de março até dezembro do mesmo ano atendemos mais de 450 crianças. A partir daí começamos a pensar que precisávamos ter qualidade e montar uma associação, foi assim que  no final de 2015  montamos a Associação Esportiva Cultural de Guaíra (AECG), nome fantasia Avante, que é para tentarmos “brigar”  de alguma forma, ter meios e tentar ser autossuficiente. Não que não queiramos depender das instituições, mas futuramente, se tiver algum convênio pode estar sendo feito nos meio municipal, estadual e federal. Mas, para isso tem que ter uma diretoria, cada um fazer algo, nem que seja vender uma rifa, precisamos fazer isso para comprar chuteira para eles, para as viagens deles, não ficar dependendo apenas dos meios públicos, mas temos que fazer algo e daí criamos, através de alguns amigos a associação esportiva, inclusive, dia 4 de março teremos uma reunião, porque vence nosso mandato, será no escritório da Aguetoni e vamos ver se damos continuidade com as pessoas que querem somar.

 

Se sente realizado?

Ainda não me sinto realizado, porque o meu sonho é aquele espaço ter uma academia, um escritório maior, além disso, lá tem espaço para criar um trabalho de resistência na área, fazer um quadrado de areia ali, luz, iluminação, colocar umas arquibancadas, plantar umas árvores, aumentar os vestiários, ter um espaço separado com vestiário masculino e feminino. Quero que ali seja um núcleo esportivo mesmo, que atenda o esporte, além do futebol trazer mais algum esporte, com um auditório que atenda mais ou menos umas 200 pessoas.

 

Já pensou em parar?

Já pensei em parar com tudo,  mas isso é do ser humano, o senhor Antônio também passou por isso, mas espero continuar… Enquanto  tiver  um menino com o sonho de  ser jogador, ele vai ser, se não for jogador que seja  um cidadão, mas que seja um cidadão legal, porque a gente cobra boletim da escola, presença nas aulas, pedimos exames e relatórios médicos  para ver se está apto. Na nossa ficha de inscrição pedimos todas as informações possíveis, porque se acontecer alguma coisa, a nossa ficha de inscrição  informa, perguntamos tudo: se tem alergia a algum remédio, porque sempre que estivermos viajando deu um mal estar, tem que acudir.

 

Quer agradecer?

Gostaria de agradecer a Deus em primeiro lugar, à minha mãe por nunca desistir de mim em nenhum momento, agradeço às pessoas que sempre estão comigo: Senhor Paulo, Antônio, Dani Moises, o Sérgio, a Jéssica Maria, filha do Sr. Antonio, o Weslei da Net Games, que faz um trabalho voluntário para nós, ao Aluísio Aguetoni mais uma vez, que não mede esforços para nos ajudar, ao Renato Ribeiro do mercado Mutirão, que cede as frutas para nós. À prefeitura também, porque sem eles não teríamos aquele espaço e à coordenadoria de esporte, Alessandro Camilo, porque ele está dando uma organizada para a estrutura ficar bacana. Agradeço a todos que sabem que nosso trabalho é social, porque nenhum de nós recebe nada, mas mesmo assim precisamos pagar um profissional. Temos um plano diretor de gastos, temos um balancete, temos que trabalhar durante o ano em cima desses valores, que são para manter a associação e a escolinha, com algumas viagens e campeonatos, não dá dois mil reais por mês para manter escritório, taxa bancária, professor, alguma alimentação.  Já está no calendário a época dos testes e as viagens, porque nem sempre o transporte público tem como nos levar porque são poucas pessoas que vão, mas tem sempre alguém nos ajudando. É bom que se diga que nenhum de nós da diretoria recebemos. Agradeço à comunidade, aos pais dos alunos pela confiança no nosso trabalho. Tenho muito o que agradecer…




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