Leontina: dedicação e agradecimento aos Santos Reis

É agradecida à vida por tudo o que ela lhe proporcionou e tem como lema uma frase: “Em casa que Deus governa sem beber e sem comer não sairá ninguém”.

Entrevistas
Guaíra, 23 de fevereiro de 2020 - 10h03

Leontina Barbosa do Prado, Fisioterapeuta, Acupunturista e Psicóloga, mãe de Andressa, Leonardo, Cássio e Caio, é também vovó, embora não pareça. Além da sua profissão, Leontina ainda encontra tempo e disposição para organizar  Festivais de Folias de Reis e Romarias até a Capela de Santa Luzia. Organiza também festas e presentes para o dia das crianças.  É agradecida à vida por tudo o que ela lhe proporcionou e tem como lema uma frase: “Em casa que Deus governa sem beber e sem comer não sairá ninguém”.

 

Sempre estudou por aqui?

Sim, meus primeiros estudos foram sempre em Guaíra, depois fiz Fisioterapia em Ribeirão Preto, Cursei Acupuntura com pós-graduação na China (Acupuntura Humana), fiz ainda a faculdade de Psicologia, em Bebedouro.

 

E hoje?

Bom, hoje trabalho em Miguelópolis, aqui em Guaíra eu trabalho como “Home Care”, ou seja, faço atendimento dos meus pacientes na própria casa deles.  Em Miguelópolis, atuo com idosos, trabalho no CRAS. Viajo todos os dias.

 

Estas duas formaturas aliadas à acupuntura, se complementam?

Sem dúvida! Tanto a Psicologia quanto a Fisioterapia ficam no intermeio das doenças. Muitas vezes o processo da doença nem é físico. Como o fisioterapeuta está muito junto com o paciente, ouvindo, interagindo com ele, acaba entrando na parte da Psicologia. Não é raro o paciente necessitar mais do psicológico do que do físico. Há uma troca!

 

Qual a faixa etária que você mais atende?

Trabalho com todas as faixas etárias: crianças, adolescentes… E agora com o CRAS, trabalho com os idosos.

 

Como surgiu a oportunidade de se especializar fora do Brasil?

Começou tudo com o judô! Eu ia levar meus filhos para as aulas de judô e acabei entrando também. E acabei me apaixonado por este esporte. Até porque é uma “coisa” de família, meu pai é faixa preta, meu tio era faixa preta, então era um esporte que estava no sangue.

 

Até onde chegou?

Sou faixa preta no primeiro “Dan”. Neste esporte, cheguei até onde queria chegar! Tenho vários títulos, vários campeonatos mundiais que disputei fora do Brasil, cheguei a me classificar para a seletiva das Olimpíadas, fiquei em quarto lugar, só existiam duas vagas, mas pelo tempo e pela idade que eu tinha, eu acho que fiz um bom trabalho.

 

E a Acupuntura?

A acupuntura é um seguimento da Psicologia e da Fisioterapia. Eu sempre gostei do Holístico, do Místico, sou curiosa e gosto muito desta área. Na verdade me apaixonei pela Acupuntura porque consegui, junto com meus pacientes, grandes avanços. É apaixonante “mover” a energia do físico, se consegue maravilhas. A Acupuntura dá oportunidade de conhecer a pessoa, se consegue fazer um diagnóstico da pessoa sem ela falar nada. Basta eu observar e fazer aferimentos, que consigo saber o que a pessoa tem! Isso é magnífico!

 

Então, fez especialização?

Sim, estudei muito! Lá na China, na parte da manhã, era um estudo técnico e, à tarde, era prático.

 

Hoje, tem público para acupuntura?

Sim, consegui grandes resultados com esta prática. O resultado é quase imediato! A pessoa se sente muito bem rapidamente. Só quem recebeu este benefício que dá valor!

 

E essa paixão pelas companhias de Reis?

Quando estava ainda envolvida com o judô, morei em São Paulo. Certa vez passei em um lugar onde se vendia esses materiais místicos. Lá, encontrei um cristal, que era um tubinho onde dentro dele poderia ser colocado um pedido. Eu estava na pré-seletiva para as Olimpíadas. Eu estava crescendo na carreira de judoca e fiz um pedido e fiz uma espécie de promessa que daria uma festa para os Santos Reis se tudo desse certo para mim. Fiz esta promessa e me esqueci dela! Minha família sempre programa para ir à praia no final do ano, que coincide com a saída das Companhias de Reis, que saem basicamente dia 25 de Dezembro. Um dia, senti a necessidade de  agradecer, porque eu tinha conseguido tanto na minha vida, minha carreira de Judoca, conheci vários países, consegui ganhar mundiais, não fui para as Olimpíadas, mas cheguei até onde deu. Era hora de agradecer!

 

Então…

Pedi para o Piantamar pintar uma bandeira para mim, que eu tinha que sair e fazer uma festa para os Três Reis. Quando minha família programou para ir à praia, eu disse “este ano não vou, vou pagar minha promessa”. Peguei minha bandeira e, por 10 anos, fui de casa em casa pedindo e entreguei minha promessa.  Como não ia sair mais com a bandeira, preguei esta bandeira na sala da minha casa e os meus filhos colaram fotos nela.

 

Atualmente, você organiza festivais?

Então, estes festivais são pontos de folia de Reis. Depois desses dois anos, eu recebi um milagre!  Meu filho sofreu um acidente de moto, esteve na UTI, correu risco de morte, quebrou as costelas, o caminhão passou em cima dele, ficou 14 dias na UTI… Quando cheguei em casa, a primeira coisa que vi foi a Bandeira na parede, estava lá a foto do meu filho nos braços de Nossa Senhora! Aí entendi que aquela promessa nem era para mim, eu nem precisava ir para a Olimpíada, era para a vida do meu filho. Hoje ele ficou bom, sem nenhuma sequela.

 

Então, aquela velha promessa ainda persiste?

Sim, de outra maneira! Depois dessa bênção recebida pela vida do meu filho, percebi que tinha que continuar, então tudo que recebo, faço a festa, ofereço os alimentos para a companhias que vêm no festival e o que sobra, ofereço para os hospitais.

 

A população te ajuda?

Sem o auxílio da população eu nada faria! Cada pessoa doa o que pode! Uns doam em alimentos, outros sendo voluntários, cada um oferece aquilo que quiser.

 

Já pensou em parar?

Muitas vezes! Eu não consigo parar porque as pessoas querem ajudar! Eu só organizo, quem faz a festa é a população, é um grupo enorme de pessoas que não dá para nominar. Tenho parceria com a Prefeitura, Casa de Cultura, Secretaria da Saúde, de Esporte. Todos ajudam, uns lavam panelas, outros ficam no bar, outros fazem doces, manjares. Recebo ajuda de todos os lados.

 

Onde vai ser o próximo festival?

Se esta entrevista vai sair no domingo, isso equivale dizer que o Festival já aconteceu (risos)! Foi programado para o sábado de carnaval, na Quadra da Ramise Elias e até o presente momento são 14 companhias de Reis já confirmadas. Dá um total de mais ou menos 300 pessoas para almoçar, dou sobremesa e nunca faltou alimento, pelo contrário, não sei como, mas chega a sobrar!  É um encontro, terá um presépio, tem as etapas a serem cumpridas pelas companhias até chegar e louvar o presépio, eles cantam, se alimentam e  à noite vão embora.  Cada Companhia tem uma característica diferente e isso é muito bonito. Agradeço à população de nossa cidade pela confiança!


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