O poder da bala

Opinião
Guaíra, 23 de outubro de 2016 - 09h42

 

Não se assuste o leitor, não falaremos de violência destruidora e sim de situação oposta, salvadora, que repõe energia usando uma bala também. Isso não quer dizer que não agredimos o nosso próprio organismo, semelhante àquela violência que estamos fartos de ver no dia-a-dia, de uns contra outros.

No caso aqui lembrado, a agressão é a não alimentação adequada, resultando num tipo de emergência tão grave quanto a outra: a redução da reserva glicêmica circulante disponível no nosso organismo.

Nas condições de hipoglicemia (dosagem baixa da glicose plasmática) surge o risco de nos tornarmos irritadiços, trêmulos, agitados e até agressivos. Por isso, recomenda-se primeiro se alimentar para depois trabalhar, discutir, estudar, fazer ginástica ou outra qualquer atividade que exija energia interna bioquímica, respeitado o intervalo da digestão.

Na hipoglicemia ocorre um alarme sistêmico que nos torna vulneráveis. É uma emergência e exige socorro.

Se no mundo diz-se da suposta ‘bancada da bala’, no dia-a-dia das almas sensíveis ocorrem oportunidades de socorro com a ação de balas de outro tipo. São balas doces – de glicose – bem vindas na emergência energética do nosso corpo. São ofertas salvadoras que bancam e socorrem as reações bioquímicas nas emergências do nosso metabolismo interno.

É o caso daquela balinha doce confortadora, de glicose, a que aparece no fundo da bolsa ou do bolso, socorrendo-nos em horas estratégicas, quando nossa glicemia (açúcar no plasma sanguíneo) descamba ou desbanca os mecanismos da fisiologia celular, especialmente a cerebral. Nestas condições de estresse metabólico, estamos sob riscos vários. O açúcar salva. Por causa disso, quero homenagear as almas bondosas de socorristas anônimos que têm a feliz ideia de colocar ofertas doces em locais e momentos estratégicos. São verdadeiros anjos anônimos que caem do céu. É a bancada da bala açucarada. Vi, nesta semana, um caso típico, elogiável.

Na sala de espera do Centro de Radioterapia do HC da Faculdade de Medicina de Botucatu-UNESP, pacientes tensos provenientes de cidades vizinhas e distantes, madrugadores por necessidade, aguardam a chamada para o tratamento radioterápico, muitas vezes com fome ou com a refeição postergada. Eis que descobrem um recipiente cheio de balas doces discretamente lá deixadas – semanalmente – por alma anônima, caridosa e previdente. É uma dádiva – ressalvados os cuidados com os diabéticos, claro. Os pacientes agradecem, as conversas tornam-se amenas, a esperança ressurge e o brilho volta nos olhos cansados daqueles que suportam a dor ou a angustia. O ânimo retorna.

Aqui, a bancada da bala – doce – faz renascer a esperança nos corações, ajudando na eficácia dos tratamentos prescritos…


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Francisco Habermann

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