Quando a derrota ensina mais que a vitória

Opinião
Guaíra, 8 de julho de 2026 - 08h46

O apito final encerrou a partida, mas demorou muito para encerrar o sentimento.

Na televisão, jogadores cabisbaixos. Nas arquibancadas, silêncio. Mas foi dentro das casas que aconteceu a cena mais marcante daquela noite.

As crianças choravam.

Havia muito tempo eu não via tantas delas tão envolvidas por uma Copa do Mundo. Elas vestiram a camisa, pintaram o rosto, fizeram seus palpites e acreditaram com a convicção que só a infância é capaz de ter. Para elas, a vitória era quase uma certeza. Afinal, quando se sonha com tanta intensidade, parece impossível imaginar um final diferente.

Então, em questão de segundos, veio a derrota.

E como explicar para uma criança que, às vezes, a vida simplesmente não acontece como planejamos?

Enquanto elas enxugavam as lágrimas, percebi que aquele jogo havia deixado de ser apenas futebol. Era a primeira grande lição sobre frustração para muitas delas. A descoberta de que nem sempre quem luta vence. De que nem todo sonho acontece no tempo que desejamos. E de que existem despedidas que doem, como a possibilidade de nunca mais ver Neymar disputar uma Copa do Mundo.

Confesso que também doeu. Não apenas pela derrota, mas por assistir ao fim de uma esperança refletida no olhar de tantas crianças.

Ao mesmo tempo, pensei que talvez esse fosse um daqueles aprendizados que nenhum livro consegue ensinar. A vida é generosa com as vitórias, mas é nas derrotas que ela revela seu maior poder: formar pessoas.

Crescer é descobrir que nem tudo depende da nossa vontade. Que haverá portas fechadas, planos interrompidos e sonhos adiados. Mas também é aprender que cada queda nos prepara para caminhar com mais coragem.

Talvez essa tenha sido a maior conquista daquela noite. Não um troféu levantado, nem uma medalha no peito, mas a oportunidade de ensinar às crianças que perder faz parte da vida. 

Que chorar é permitido. Que sentir a dor é necessário. E que, depois de cada derrota, existe uma escolha: permanecer no chão ou levantar para tentar outra vez.

Porque a verdadeira vitória nunca esteve apenas no placar.

Ela está na capacidade de continuar acreditando, mesmo quando o apito final parece dizer que tudo acabou…

Vívian Guedes Yonemoto,Farmacêutica,Consultora de Sistemas Hospitalares,Mãe da Gabriella e da Giovanna,Leitora apaixonada e Escritora nas horas vagas.Apaixonada por fotografia.Transformando conhecimento, fé, maternidade e experiências em palavras que inspiram.


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Vívian Guedes Yonemoto

Vívian Guedes Yonemoto,Farmacêutica,Consultora de Sistemas Hospitalares,Mãe da Gabriella e da Giovanna,Leitora apaixonada e Escritora nas horas vagas.Apaixonada por fotografia.Transformando conhecimento, fé, maternidade e experiências em palavras que inspiram.

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