Carina Andrade: A empresária da educação que emprega e gera rendas. Um sonho que deu certo!

Carina de Andrade Santos Oliveira tem 40 anos, é casada com Rogério Osório de Oliveira e mãe da Lara de 6 anos e Lavínia de 13 anos. É formada em magistério pela escola Ouro Branco, fez Pedagogia no Soares de Barretos e Psicopedagogia na Fatece. Trabalhou na Sogube durante 16 anos como Coordenadora Pedagógica. Inteligente, falante e encantadora, Carina descreve cada conquista de sua escola, com orgulho. Sair da Cohab e ser dona de Escola era um sonho longínquo, mas, com fé em Santa Rita de Cassia, foi conquistando tudo o que desejou.

Homenagem
Guaíra, 9 de abril de 2019 - 14h39

Como surgiu a ideia de montar uma escola direcionada para a idade do berçário?

Minha filha Lavínia ficava com a babá e percebi que ela estava em  uma idade que precisava muito de mim, precisava dos meus cuidados. Foi uma época muito difícil para todos nós de casa, pois meu pai estava internado em São Paulo, não tinha minha mãe para poder contar, minha vida estava uma loucura. Conversei com a Heloísa e disse que não iria mais voltar, que iria pedir para o doutor Paulo me afastar, e ela me disse: ”Mas você não vai ficar nada com o bebê”. Então trabalhei até Setembro e em Novembro de 2012 estava dando a luz. No ano de 2013 tinha acabado de concluir a pós-graduação. Em toda cidade que visitava ia conhecer as escolinhas, para ver se colocava minha filha, era uma desculpa, porque na verdade queria que se alguém montasse um berçário integral em Guaíra, que eu  pudesse deixá-la e visitá-la. Aqui até existia uma quando a Lavínia era bebê estudou, mas acabou fechando…

 

Então…

Então faltando dois meses para ganhar neném,  meu esposo Rogério me falou: ”Olha você não vai conseguir ficar sem trabalhar, porque trabalhou a vida inteira, acabou de fazer uma pós, não tem vontade de montar uma escolinha? Dá até para ficar junto com a nossa filha, além disso a mesma necessidade que nós temos, as pessoas de Guaíra também têm, que é um lugar assim, destinado aos bebês”.

 

Gostou da ideia do Rogério?

Adorei a ideia e comecei a fazer cursos no SEBRAE, comecei a  procurar informações em todos os lugares, com aquele barrigão de sete meses e montei tudo, aluguei a casa da Av. nove, passava por ela já imaginando como seria o Jardim  cheio de bichinhos, isso sem nunca ter entrado na casa, mas pensava em tudo, aqui vai ter recepção, os quartos vão ser os berçários. Parei em frente à casa, barrigudona e perguntei ”De quem é essa casa?” E responderam ”Estamos indo lá entregar a chave  no seu João Ferrari”. Pedi a chave e desci com meu marido e olhamos a casa. Eles ainda seguraram o imóvel para gente até Dezembro daquele ano para começarmos a pagar. Falei para o Rogério ”vamos esperar porque vou receber quatro meses de licença-maternidade tem o seguro desemprego e ai em 2014 abrimos” mas ele não aceitou e disse que alguém poderia ter essa ideia, vamos abrir agora. E daí alugamos o prédio, compramos os equipamentos e abrimos. Minha primeira intenção era só berçário, então abrimos o berçário e Maternal  no primeiro ano.

 

Foi difícil no começo?

Foi porque até então não tinha pensado muito na metodologia, na didática da escola eu queria cuidar das crianças, dos bebês enquanto os pais estivessem trabalhando, esse era o objetivo da Aquarela. A principio iria se chamar Espaço Educacional Santa Rita de Cássia, porque tinha feito um pedido para que desse certo, e o negócio deu muito certo, porém tive que deixar este nome um pouco de lado, porque acabaria misturando a religião…

 

Então vocês foram montando a escola…   

Montamos tudo sem ter demanda, sem ter nada, com aquele barrigão, fazendo panfletagem, distribuindo folhetos nas vilas. Então a Claudinha e a Vânia queriam sair da Sogube, a Vanessa já havia saído, então com meu salário de licença-maternidade e o meu seguro desemprego eu as pagava mesmo não tendo aberto a escola ainda, pois me ajudavam muito e iam comigo em todo quanto é lugar, na diretoria de ensino lá em São Paulo, tinha que montar o regimento Interno, as propostas pedagógicas…

 

Assim começou a dar certo…

Estava ganhando neném e o pessoal me ligando, iam minha casa falava: ”Você está fazendo loucura menina, está ganhando neném e vai abrir uma escola?” e eu respondia: ”Vou! Já era para ter aberto em fevereiro de 2013, mas não deu porque não chegaram os brinquedos, a autorização também da Diretoria de Ensino não havia sido liberada, saiu depois para funcionar a partir do dia 1º de abril de 2013. Então a inauguramos no dia 25 de Março, que é o dia do aniversário da Lavínia, com 11 alunos” inclusive, a Gabriela do cartório postou a foto esses dias da lembrança de seis anos atrás e colocou assim para minha irmã: ”Talita, hoje é aniversário de funcionamento da escola, foi o primeiro dia que eu levei a Luiza para a escola”. Tive como alunos a Gabriella; a filha da Mônica veterinária, a Julinha, o filho da Heloísa, o Henrique e a minha Lara os iniciantes, eu ia dando ”mama” fazendo as matrícula, mostrava a escola para os pais com a Lara no meu peito. E foi dando tudo muito certo, abrimos o berçário e tinha uma salinha de maternal que tinha umas quatro crianças. Contratei a Fran e a irmã dela no mesmo dia, na primeira semana que começaram as aulas, sem saber que elas eram irmãs, apenas pegando o currículo…

 

E a escola foi crescendo…

Com uns três meses estávamos com aproximadamente 40 alunos, foi um crescimento muito grande, de seis funcionários que tínhamos foi para 15. Era uma professora e uma assistência por sala, a cada 15 alunos: uma professoras e uma assistente, são três berçários: são três profissionais envolvidas e hoje estamos com quase 160 alunos sem contar os integrais, totalizando 29 funcionários…

 

Você queria uma escola diferente?

Sempre via alguns fatores que Guaíra precisava: uma educação diferenciada para as crianças, de uma forma lúdica, contextualizada, que desse prazer para a criança, que a fizesse voltar, todos os dias, com alegria, para escola, a nossa metodologia é essa e hoje o ponto positivo é que consigo comprar o material, porque antes não me preocupava com o conteúdo, no entanto, um ano depois de inaugurado o meu berçário, tive que alugar a casa da esquina e mudei o berçário para lá, dois anos depois aluguei a casa da Avenida 5, com Jardim, o ano passado, no 5º ano da escola, abrimos o fundamental e vem crescendo com o fundamental…

 

Sua filha Lavínia foi o ponto de partida?

Isso mesmo, eu vi então que havia crianças que necessitavam de ter uma aprendizagem diferenciada dentro de Guaíra, a minha Lavínia é TDH, tem pro-atividade e déficit de atenção. Ela me pedia socorro, queria sair das escolas convencionais, mas cada escola era uma frustração, a auto-estima dela foi lá para baixo, mas dentro da dificuldade da minha filha, tentei trazer a solução para dentro da Aquarela…

 

Você está sempre se capacitando?

Sim, ainda recentemente fui a uma capacitação do TDH, em Ribeirão Preto, o foco era a criança autista, eles ensinaram a prática que nós temos que trabalhar com a sala toda, por exemplo, tudo que eu trouxe de materiais, jogos, vou trabalhar com a sala toda, porque vou reforçar com a criança que não tem nenhuma síndrome, mas ao mesmo tempo trabalhando com aquele que tem a síndrome, não vou trabalhar com ele diferente das outras crianças, porque isso vai deixá-lo constrangido, tem autista que para a gente é um desafio, atualmente pago um funcionário somente para essa criança autista, faço toda a equipe ficar envolvida, aquele funcionário que não está comprometido com a nossos objetivos, não trabalha conosco…

 

Como as crianças reagem?

As crianças se envolvem muito com isso, é um crescimento e a família também se envolve quando ela vê que a escola está junto, por exemplo, hoje eu faço avaliação diagnóstica individual das crianças, porque quero conhecer de perto a personalidade de cada um, faço separado, individual, para saber se ela já está lendo, se escreve corretamente ou não, se tem noção de palavrinhas, frases e até se ela faz de baixo para cima de uma forma errada, tudo isso vamos trabalhar e porque a criança não está aprendendo, porque alguma coisa tem de errado, então chamamos a família.

 

Como assim?

Por exemplo, pedi para os pais de um aluno vir aqui, pois ele não memoriza dentro da avaliação visual o que eu faço com ele. O amarelo, me disse  que era laranja, o vermelho era Pink, não é normal uma criança assim, então encaminho para uma neuropsicóloga, para que faça uma avaliação, explico  para os pais, porque estou pedindo isso, vamos juntos, a criança não tem noção de maior e menor, de semelhanças, das formas geométricas, daí vemos tudo que está adaptado para cada faixa etária, essa avaliação é feita desde o Maternal, se a criança pega certo na caneta ou não, se ela te olha ou não nos olhos, tudo isso é descrito no relatório das monitoras, que me entregam mensalmente. É feito um relatado, uma avaliação da criança todo mês, o que a criança evoluiu o que não evoluiu, se regrediu…

 

Este relatório fica na escola?

Isto mesmo, tenho um relatório que fica tudo ali para poder trabalhar a individualidade da criança, porque ela tem que aprender ou nós temos que fazer alguma coisa, a família tem que buscar alguma coisa para ajudar a gente, mas ele tem que aprender, a não ser que tenha alguma síndrome. Esse olhar diferenciado, adquiri através da minha filha Lavínia, porque chegou uma época da vida que eu tive a tirá-la do quarto ano e meio de uma escola, mas o problema não era a escola, mas o sistema, porque lá ela teve excelentes professores, mas quase coloquei a Lavínia para fora de Guaíra, falei vai viajar todo dia, porque ela só chorava porque não aprendia…

 

Se sente realizada?

Me sinto realizada com o meu trabalho, mas ainda acho que precisamos melhorar a estrutura da escola, quero algo diferenciado, igual as instituições que visito. Por outro lado me entristeço com a concorrência quando não me respeitarem, não posso generalizar, porque a Tauana me ama de paixão, me indica funcionários, duas funcionárias também vieram do o Irum Curumim e agora estão comigo, então há camaradagem também.

 

Você acompanha o aluno fora da escola?

Ah, sim, ligo para a fonoaudióloga, para perguntar o que está trabalhando, já fui em aula dos meninos de eco terapia, para ver a forma que estão trabalhando, o que ele estão aprendendo, para trazer para cá também…

 

Ainda há muito para  realizar?

Estou aqui dando o meu melhor, mas minha filha foi e voltou, até na pública deixei ela um ano, quando saiu de uma das escolas. Mas quero ter uma estrutura boa, tudo branquinho, novinho esse é o meu sonho, tudo moderno, agora estou vendo o crescimento por series não era minha intenção ter o fundamental, as coisas aconteceram e pedi tanto para Deus, não queria, mas se der certo, porque os pais começaram me pressionar, e mandei a  papelada, nem acreditava quando mandei, e foi dando tudo certo…

 

Tem   planos para aumentar o espaço?

Quero aumentar o fundamental, quero jogar meu berçário aqui para a casa do lado, no fundo da Adriana decoração, o espaço é da dona Neusa. Quer dizer, nós não vamos parar, a escola é inteira climatizada, é monitorado por câmeras, todos os ambientes tem câmera. Dentro das atividades pedagógica nós trabalhamos com sistema de ensino Positivo, trabalhando de forma contextualizadas, não ficamos só engessados no material, por exemplo a criança aprendeu vermelho ela vai aprender em inglês, na Informática, vai plantar o tomate e fazer um suco de morango. Temos o projeto da horta, então o fundamental vai começar trabalhar com as ervas medicinais, então eles vão plantar as ervinhas, vão usar para fazer chá é tudo para consumo deles mesmos. Temos ainda o balé, o judô, projetos do Branco Zanol, nós temos a musicalização, temos a capoeira, recreação, meio ambiente, nós temos uma tartaruga que fica na escola que chama Misha. Desde quando a abriu, ela anda livremente, nós temos inglês, a cozinha experimental, de 15 em 15 dias tem a contação de história, teatro…  Os nossos eventos não são apenas uma apresentação de um espetáculo mesmo  porque a gente escolhe um tema e nesse tema as professoras desenvolvem as musiquinhas, então é tudo através de temas. A cada 40 minutos eles estão em espaços diferentes, eles não ficam o tempo todo na sala e toda sexta-feira tem piquenique, nesta hora a gente junta todos, porque para eles terem uma relação muito legal, os meninos maiores sabem até o nome dos bebês. Eles cuidam uns dos outros…

 

Eles se alimentam na escola?

Sim, cada 40 minutos eles estão em uma atividade, então em recreação pedagógica, depois experimental, tem os horários direitinho, alimentação é fornecida pela escola, então a gente tem tanto o lanche como a fruta, todos os dias, leite também, a criança a nós incentivamos a mamadeira, depois que eles param de mamar, começa no copinho já o leite…

 

E os funcionários?

São extremamente capacitados e assim os que não são, não ficam, temos uma equipe muito boa porque tem muito envolvimento, a primeira coisa que eu olho é estar de bom humor, imagina você vai entregar sua filha para uma pessoa de cara amarrada. Mas o berçário a rotina é muito organizada,  todas as crianças tem agenda. Educação Infantil inteira tem agenda, tudo é anotado, o horário que fez cocô, a hora que dormiu, que tomou banho…

 

Por que o nome de ”Aquarela”?

Pois é, eu queria algo colorido, eu queria uma escola toda colorida, um pilar de cada cor, queria tudo vibrante, chamativo, aí eu fui pesquisando junto com a minha família e chegamos nesse conceito de ”Aquarela”.

 

Você é agradecida?

Sou grata a Deus e principalmente ao meu esposo, meu companheiro, meu amigo, pode parecer ”Chavão” mas ele é o meu porto seguro, meu grande  incentivador, porque na verdade foi ele que me encorajou, confiou no meu potencial, fez tudo: alugou a casa, comprou os móveis, fez financiamentos caríssimos, que pagamos até hoje, ainda não vimos retorno, mas sempre investimos e ele me apoia em tudo. Sou grata também aos pais que confiaram e ainda confiam no meu trabalho. Eu só tenho agradecer a estes pais porque o objetivo é nós aqui, cuidando do seu filho enquanto os pais ficam cuidando do futuro deles…



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