Banquete dos ”deuses”

Editorial
Guaíra, 7 de maio de 2019 - 09h45

O Supremo Tribunal Federal (STF) divulgou na última sexta-feira (26) informações sobre um pregão eletrônico para ”serviços de fornecimento de refeições institucionais”, com gasto estimado de R$ 1,134 milhão.

Na lista, estão produtos para pratos como bobó de camarão, camarão à baiana, ”medalhões de lagosta com molho de manteiga queimada”, bacalhau à Gomes de Sá, frigideira de siri, moqueca (capixaba e baiana), arroz de pato, vitela assada, codornas assadas, carré de cordeiro, medalhões de filé, entre outras refeições.

Os vinhos para os ministros do STF recebem atenção especial. Caso seja vinho tinto fino seco, tem de ser Tannat ou Assemblage, contendo esse tipo de uva de safra igual ou posterior a 2010 e que tenha ganhado pelo menos quatro premiações internacionais.

As especificações são rígidas também para vinhas de uva do tipo Merlot, vinhos brancos, caipirinhas e uísques.

Por meio de nota, o STF informou que ”o edital da licitação do serviço de refeições institucionais em elaboração pelo STF reproduz as especificações e características de contrato semelhante firmado pelo Ministério das Relações Exteriores (que faz o cerimonial da Presidência da República)”.

Em tempos de ajuste fiscal, quando se cobram sacrifícios de toda a sociedade para a redução de gastos públicos, o Supremo Tribunal Federal não tem sido um dos melhores exemplos de austeridade. Em meio à crise que o levou a impor censura à imprensa, o tribunal presidido pelo ministro Dias Toffoli decidiu abrir a tal licitação que agrava ainda mais sua combalida imagem.

Assim, o processo de contratação do buffet prevê o fornecimento de pelo menos 2,8 mil refeições (almoços ou jantares), 180 cafés da manhã, outros 180 brunch’s (cafés mais reforçados) e três tipos de coquetéis para 1.600 pessoas. Na lista de exigências do contrato, previsto para durar 12 meses, prorrogáveis por mais 60 meses, estão aqueles pratos dignos dos melhores restaurantes do mundo, comparados aos badalados cinco estrelas.

Ah! Quem paga esta conta somos nós claro…


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