Não sabia?

Editorial
Guaíra, 30 de março de 2017 - 10h19

Nelson Rodrigues ensinou que “a dúvida é autora das insônias mais cruéis”. Ao passo que, inversamente, uma boa e sólida certeza vale como um barbitúrico irresistível.

Na noite passada, os repórteres cutucaram Michel Temer. Queriam arrancar dele um comentário sobre a decisão do Tribunal Superior Eleitoral de marcar o início do julgamento do processo que pode levar à cassação do seu mandato presidencial.

“Marcou já? Ótimo. Vamos aguardar”, disse Temer, sem franzir o cenho. Deve-se a calma do presidente à certeza que se disseminou no Planalto segundo a qual o julgamento pode até começar na semana que vem. Mas não terminará tão cedo.

Acontece que a MENINA DOS OLHOS do presidente – a reforma da previdência – está quase emperrada! O Planalto elevou o tom nas negociações sobre o projeto. Incomodados com a resistência das bancadas governistas em avalizar as mudanças, operadores de Michel Temer afirmam aos aliados que, “sem essa reforma, o governo acaba.” A frase ecoa um raciocínio exposto em privado pelo próprio. O presidente se refere à aprovação dos ajustes previdenciários como uma questão de vida ou morte. E o governo se movimenta como se contasse com uma grande batalha.

Ciente de que ainda não dispõe de uma maioria sólida a favor da reforma da Previdência, o Planalto mobiliza os ministros que representam partidos políticos na Esplanada. Cobra deles reciprocidade, eufemismo para a contrapartida fisiológica embutida no modelo de coalizão — outro eufemismo para cooptação. Mapeiam-se as “insatisfações” das bancadas. Identificam-se as “necessidades” dos parlamentares. Nas palavras de um ministro, o governo “utiliza todas as armas de que dispõe” para obter votos.

Por que Temer quer tanto fazer esta reforma da previdência? Não há outras prioridades mais prementes, como salvar os hospitais, as rodovias, o escoamento de grãos, do que mexer com a aposentadoria de quem trabalhou a vida inteira?

Tem algumas coisas que não mudam: a vaidade de quem está no poder é uma delas! Não priorizam o povo, priorizam a sua arrogância e por isso caem no ostracismo. Uma lástima!


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