Quanto tempo falta?

Editorial
Guaíra, 9 de agosto de 2026 - 09h15

Quando somos jovens, quase nunca fazemos essa pergunta. Perguntamos quanto tempo falta para crescer, terminar os estudos, realizar um sonho. A vida parece enorme diante de nós. Há sempre outro ano, outro domingo, outra oportunidade. Até que, em algum momento, a pergunta muda de direção.

Quanto tempo falta?

Chega uma idade em que fazemos contas que nenhuma calculadora consegue responder. Olhamos para trás e pensamos: quantas vezes já amanheci? Foram milhares. E durante boa parte delas nem percebemos o extraordinário que havia nisso. Abríamos os olhos e simplesmente começávamos outro dia.

Até descobrirmos que chega um tempo em que aquilo que mais queremos é justamente o que durante tantos anos recebemos sem perceber: amanhecer mais uma vez.

Neste domingo, Dia dos Pais, essa percepção ganha outro significado. Para alguns haverá almoço, telefone tocando, filhos chegando e aquele abraço que parece apenas mais um. Para outros haverá uma cadeira vazia, uma fotografia e a lembrança de um abraço que dariam tudo para poder repetir.

Talvez seja essa uma das grandes ironias da vida: só percebemos o tamanho de algumas coisas quando elas deixam de ser pequenas.

Quem ainda pode abraçar o pai não precisa viver pensando na despedida. O amor não combina com cronômetro. Mas também não deveria combinar com adiamentos. Deixamos para amanhã justamente aquilo que imaginamos que estará disponível para sempre: uma visita, uma conversa, um café sem pressa, um “eu te amo”.

Não sabemos quanto tempo falta. Para nossos pais. Para nossos filhos. Para nós.

Mas sabemos que hoje ainda existe.

Porque chegará um domingo em que alguns de nós teremos apenas lembranças. E elas serão preciosas. Enquanto esse domingo não chega, existe algo infinitamente melhor do que lembrar de um abraço: ainda poder dá-lo.

Talvez seja isso que a idade, aos poucos, tente nos ensinar. Passamos boa parte da vida perguntando quanto tempo falta para alguma coisa acontecer. Até descobrirmos que o verdadeiro presente nunca esteve na resposta.

Está em poder amanhecer mais uma vez.E, se neste amanhecer ainda houver um pai para abraçar, não deixe para depois.

Se houver apenas a lembrança, abrace-a também.Feliz Dia dos Pais.


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