





















Foram três dias de feira. Mas quem passou pelo Parque de Exposições entre 10 e 12 de setembro viu apenas a parte mais visível de uma história que começou muito antes da abertura dos portões.
Antes das máquinas chegarem, dos estandes ganharem forma e do público ocupar os corredores, houve reuniões, telefonemas, convites, busca por parceiros, empresas que aceitaram acreditar na proposta e muita gente trabalhando nos bastidores.
Foi assim que o Parque de Exposições Ademir Jovanini Augusto voltou a receber máquinas, implementos, empresas, produtores rurais, instituições, empreendedores e famílias para a 12ª FAIG, Feira Agroindustrial de Guaíra.
Ao todo, 26 empresas participaram como expositoras, levando ao parque máquinas, equipamentos, soluções, serviços e tecnologias ligados ao campo. Segundo estimativa da organização, entre 2 mil e 3 mil pessoas passaram pelo parque a cada dia durante os três dias do evento.
Realizar esta edição significou recuperar um evento que pertence à história do município e tem tudo a ver com sua maior vocação: o agro.
Guaíra não precisa inventar uma identidade para a FAIG. Ela já existe no campo, na irrigação, nas empresas, nos produtores e na tecnologia que fazem do município um território fortemente ligado ao agronegócio. O reconhecimento de Guaíra como Cadeia Produtiva Local do Agronegócio de Irrigação reforça justamente essa vocação.
A feira é, de certa maneira, o lugar onde essa identidade se encontra, se apresenta e cria novas oportunidades.
Antes dos portões abrirem
Montar uma feira dessa dimensão não é simplesmente ocupar um parque durante três dias. É buscar empresas, conquistar parceiros, organizar espaços, definir programação, receber expositores e convencer diferentes setores de que vale a pena construir algo juntos.
Por isso, quando se fala no resultado da 12ª FAIG, é preciso começar por quem trabalhou para que ela acontecesse.
O engenheiro civil e presidente da AGEA, Lucas Morsoleto, também falou dos desafios enfrentados para colocar a FAIG de pé. Agradeceu à equipe, às empresas, apoiadores e patrocinadores que acreditaram no projeto e fez um reconhecimento especial à esposa, Josy Teixeira Morsoleto, pela dedicação e pelo trabalho para que a feira acontecesse.
Josy Teixeira Morsoleto, uma das pessoas diretamente envolvidas na organização, preferiu dividir os méritos:
“Não é um trabalho sozinho. Não tem uma pessoa que fez. É muita gente trabalhando para que a gente consiga trazer de volta o que é nosso.”
E trazer de volta o que é de Guaíra passa, necessariamente, por reconquistar também a confiança de quem produz e de quem investe.
O presidente do Sindicato Rural de Guaíra, Mário Sérgio Silvério, agradeceu às empresas que acreditaram na proposta. Elas fizeram diferença. Máquinas, equipamentos, irrigação, insumos, serviços e soluções para o campo transformaram o parque em uma vitrine do agronegócio e, principalmente, em um lugar de encontros.
Porque uma feira não acontece somente diante de um equipamento exposto. Muitas vezes, ela começa numa conversa ao lado de um estande, numa troca de contatos ou numa ideia que pode virar negócio semanas depois.
É justamente aí que entra uma definição de Nilda Pereira que resume bem o propósito da FAIG:
“Não é uma festa. É uma feira. É para gerar comércio, gerar dinheiro dentro do nosso município.”
E quando a proposta é movimentar a economia, o espaço precisa ser de muitos. Por isso, pequenos empresários, comerciantes, artesãos, produtores e prestadores de serviços também encontraram lugar dentro da feira.
O movimento, portanto, não precisa terminar nos corredores do Parque de Exposições. Uma feira que aproxima empresas, produtores e visitantes também pode criar oportunidades para quem está fora dos estandes, alcançando comércio, alimentação, serviços e outros setores da economia local.
Quando muita gente acredita no mesmo projeto
Uma feira dessa dimensão não se reconstrói com uma única assinatura.
A recuperação da FAIG foi construída com a participação da Prefeitura, do Sindicato Rural, da AGEA, do Sebrae-SP, da FAESP/SENAR, do Governo do Estado de São Paulo, além de empresas, produtores e demais parceiros.
O prefeito Antônio Manoel da Silva Júnior, Junão, já havia defendido a volta da FAIG como um resgate da história de Guaíra aliado a um olhar para o futuro do campo. A chegada à 12ª edição mostrou que aquele projeto não parou no caminho.
Na mesma direção, o diretor de Desenvolvimento Econômico, Vamberto Ribeiro, vem defendendo uma feira voltada à geração de negócios, conhecimento e desenvolvimento econômico.
A parceria também ganhou novos contornos nesta edição com a presença do gerente regional do Sebrae-SP em Barretos, Rafael Matos do Carmo, e a participação de Leandro Gumieri e Ariadne Zanin, consultora de negócios da instituição.
A participação ganhou ainda mais significado com o lançamento do Guaíra Empreendedora, ampliando o olhar da feira para os pequenos negócios e para quem movimenta a economia todos os dias, muitas vezes começando pequeno.
O Governo do Estado de São Paulo também integra essa construção. E o reconhecimento de Guaíra como Cadeia Produtiva Local do Agronegócio de Irrigação ajuda a dimensionar a importância de uma feira como a FAIG para um município cuja agricultura foi transformada pela tecnologia e pelo uso da água como ferramenta de produção.
Não é apenas uma certificação. É o reconhecimento de uma atividade que faz parte da história econômica de Guaíra e ajudou a transformar sua agricultura, ampliando tecnologia, produtividade e investimentos no campo.
Por isso, falar de FAIG em Guaíra também é falar de irrigação. E falar de irrigação é falar de uma parte importante da identidade produtiva do município.
E falar em irrigação, tecnologia e desenvolvimento naturalmente leva a outro papel importante de uma feira agroindustrial: compartilhar conhecimento.
Uma feira também é feita de informação
A programação técnica passou por irrigação, crédito, barter, análise de solos, mercado de trabalho, desenvolvimento econômico e empreendedorismo.
A Mútua-SP, Caixa de Assistência dos Profissionais do Crea, também esteve presente, levando aos profissionais das áreas tecnológicas informações sobre planejamento financeiro, crédito, proteção e previdência.
E em meio a tantos assuntos ligados ao futuro do agro, as mulheres também ocuparam seu espaço.
Juliana Farah, presidente da Comissão Semeadoras do Agro da FAESP, falou sobre liderança, capacitação, autonomia e maior participação feminina no setor.
Foi um daqueles momentos em que a feira deixou de falar somente de máquinas, números e produtividade para falar de gente.
E gente, aliás, foi o que não faltou.
Quando os Primos chegaram, a formalidade ficou de lado
Entre uma palestra, uma conversa de negócios e uma visita aos estandes, a FAIG também mostrou que o agro sabe sorrir.
E os Primos do Agro entenderam isso como poucos.
Eles chegaram com a popularidade de quem conquistou as redes sociais, mas bastaram poucos minutos circulando pelo parque para mostrar que, ali, a fama não criava distância.
Com carisma, simplicidade e muito bom humor, conversaram com o público, atenderam fãs, fizeram fotos e brincaram com quem se aproximava. Sem estrelismo, sem pressa de parecer importantes.
Deram um verdadeiro show justamente porque fizeram o mais simples: ficaram perto das pessoas.
A linguagem espontânea de quem conhece o cotidiano rural encontrou identificação imediata com o público. Os Primos levaram para dentro da FAIG um pouco daquilo que fazem nas redes, mostrando o agro como ele também é: trabalho duro, histórias, amizade e boas risadas.
E enquanto os adultos circulavam entre estandes, palestras e negócios, havia outra geração descobrindo aquele universo.
Crianças conheceram animais na fazendinha, observaram máquinas de perto e tiveram contato com um campo que, para muitas delas, é visto apenas pela janela do carro ou pela tela do celular.
Uma feira que quer fazer parte do futuro também precisa criar memória e despertar interesse em quem amanhã estará no campo, nas empresas e nos próprios estandes.
Gastronomia, artesanato, parque de diversões e atrações culturais completaram o encontro e ajudaram a aproximar campo e cidade.
Quando os portões fecham, nem tudo termina
Na noite do dia 12, as luzes começaram a se apagar, os últimos visitantes deixaram o parque e os expositores começaram a desmontar aquilo que levara dias para ficar pronto.
Mas seria um erro medir a 12ª FAIG apenas pelo que aconteceu durante aqueles três dias.
Alguns dos resultados só aparecerão depois.
Estão nos contatos que poderão virar negócios, nas empresas que desejam retornar, nos produtores que conheceram novas soluções, nos pequenos empreendedores que ganharam espaço e na confiança que começa a ser reconstruída em torno da feira.
A volta, porém, não significa que a FAIG chegou ao tamanho que pode alcançar. Ainda há estrutura a aprimorar, novos públicos a alcançar, expositores a trazer e negócios a construir.
E é justamente assim que grandes projetos avançam.
Grandes feiras não nascem prontas. Elas crescem.
Uma edição ensina a seguinte. O que funcionou pode ser ampliado. O que precisa melhorar pode ser corrigido. Novos parceiros chegam. Outros expositores passam a acreditar. O público cria o hábito de voltar.
A 12ª FAIG mostrou, na prática, que existe espaço para uma grande exposição agroindustrial em Guaíra. Foram 26 empresas expositoras e, segundo estimativa da organização, uma circulação entre 2 mil e 3 mil pessoas por dia, números que ajudam a dimensionar o alcance desta retomada.
Mais importante, a feira mostrou que empresas estão dispostas a participar, que produtores têm interesse em novas tecnologias e soluções, que pequenos empreendedores podem encontrar seu lugar e que o público pode voltar a ocupar o Parque de Exposições.
Agora, o desafio é fazer dessa volta um novo ciclo.
Por isso, aos organizadores, parceiros, Prefeitura, Sindicato Rural, AGEA, Sebrae-SP, FAESP/SENAR, Governo do Estado, empresas, instituições, produtores, empreendedores e trabalhadores, fica o reconhecimento por fazerem a FAIG acontecer.
Guaíra não chegou ao agro agora. A agricultura tecnificada, a irrigação, os produtores e as empresas fazem parte de uma história construída há décadas.
A FAIG nasceu dessa história.
E se existe uma imagem que fica depois que os estandes são desmontados, é justamente aquela lembrada por Josy Teixeira Morsoleto: muita gente trabalhando para “trazer de volta o que é nosso”.
Trazer de volta foi o primeiro passo.
Agora é preciso não deixar ir novamente.
A 12ª FAIG terminou. Mas o projeto não.
Que venha a próxima. Maior onde puder ser maior, melhor onde precisar melhorar, mas sem perder aquilo que nenhuma estrutura consegue montar sozinha: o compromisso de Guaíra com uma feira que nasceu da sua história e pode ajudar a construir o seu futuro.

