O homem por trás da farda | Capitão Hannickel uma história de fé e ideais

Capitão André Luiz Hannickel de 46 anos e de origem Alemã, também de formação germânica, tem dois filhos: Henry de 9 anos e Zack de 2 anos.  Existe, na sua sala, uma biblioteca diversificada (porque adora ler), que vai desde algumas edições da Bíblia até a História da Segunda Guerra Mundial. A sua Companhia conta hoje com cerca de 80 homens sob seu comando. Com facilidade de se expressar, vai cativando seus interlocutores e deixando transparecer a sua inteligência, a sua sensibilidade, seu amor pela farda e pelos valores que herdou. Deixa-nos uma frase ”O livro te informa, mas a palavra de Deus transforma”

Entrevistas
Guaíra, 15 de abril de 2019 - 15h18

Onde você nasceu?

Em Sorocaba, minha família é de origem alemã e foi uma das primeiras famílias de origem germânica a chegar ao Brasil, isso em 1828, vieram para trabalhar na Fazenda Ipanema onde existia a primeira siderúrgica no Brasil, fundada por D. Pedro…

 

Estudou por lá?

Sim, estudei em Sorocaba, sempre em Escolas Públicas, e fiquei na mesma escola desde o primeiro ano do primeiro grau até o terceiro ano do segundo grau. Toda a minha formação foi feita na mesma escola, no mesmo bairro.

 

E depois?

Sai de casa com 18 anos e fui servir o exército. Meu pai era Policial Militar, mas faleceu quando eu tinha 10 anos. Assim, comecei a trabalhar com 14 anos de idade, em empresas. Quando estava no exército, queria seguir a carreira militar, mas alguma coisa me chamou para a polícia. Foi quando fui fazer a Academia de Policia Militar  do Barro Branco. Me formei e fui trabalhar na Capital.

 

Como chegou até Guaíra?

Eu trabalhava na Capital, trabalhava no batalhão, quando chegou por lá um aspirante, Paulo Cesar Frugeri, hoje Capitão Frugeri, da Companhia de Barretos, ficamos amigos e acabei vindo, com ele, conhecer Guaíra, viemos numa festa do peão. Mas a família da minha mãe tem raízes próximas daqui. Estou definitivamente aqui desde 2011.

 

Esse sentimento de trabalhar a favor do Bem, contra o mal vem desde criança?

Na verdade naquela época não tínhamos as informações que temos hoje. Atualmente como pais, orientamos nossos filhos com mais elementos, com mais consistência, nossos pais não tinham essa preocupação, deixava para nós mesmo escolhermos. Fui criado por minha mãe, com muita disciplina, sem muito colinho (risos), dentro de princípios da integridade, responsabilidade, honestidade. Então trago estes valores de berço. Isso foi alicerçado na Policia, por isso, para mim, são valores muito caros…

 

Se seus filhos quiserem seguir a carreira militar?

Com dor no coração eu apoiarei. Não é uma profissão fácil. Ser Policial, hoje, é um sacerdócio. Tem que ter vocação. No mundo atual, para ser militar tem que saber que é uma vida de sacrifícios, de desapegos, não existem horários para entrar nem sair. A pessoa se doa ao máximo, inclusive com a própria vida…

 

Como é o Capitão como pai?

Gosto de estar sempre próximo aos meus filhos. Gosto de saber o que está acontecendo. Cobro muito, mas tenho a minha parte paternal de carinho, de coração mole. Quando sou severo e muito duro, um olhar, um sorriso, já quebra o pai (risos). Aí eu não resisto. Meus filhos são tudo, são minha vida. Gostaria que eles se transformassem em bons cidadãos e que no futuro tivessem orgulho do pai…

 

Quando vocês vão para enfretamento, o que você fala para seus comandados?

Além de reunir os homens e passar as orientações técnicas e profissionais do que vamos desenvolver, eu oro com eles. Agradeço e peço proteção para o nosso serviço…

 

Sua patente de Capitão é igual à do nosso presidente. Tem alguma vaidade nisso?

Na verdade eu acho que temos valores parecidos. Esta questão da Caserna, de nacionalismo, de patriotismo, de amor à causa pública, acho carregamos isso em comum. O conservadorismo, cidadania, isso temos em comum…

 

Você também é formado em História, não é?

Sempre fui uma pessoa apaixonada por História. Depois de um tempo dedicado exclusivamente à Policia, comecei a pensar em aumentar um pouco mais meu conhecimento, então em 2005 fui fazer História, na Unesp, em Franca, viajava todos os dias, no ônibus dos estudantes, então conheço bem as agruras pelas quais eles passam…

 

A ânsia  por mais conhecimento passou?

Foi aplacada, de modo que também fiz Direito, na Faculdade municipal de Franca e estou estudando para fazer o exame da Ordem.

 

Capitão, o que te descansa?

Gosto muito de ler, de assistir filmes,  séries, mas o que me traz mais prazer é  o trabalho braçal. Então vou para o sítio da minha mãe,  neste final de semana mesmo, fiquei arrumando os canteiros, a horta, a mina  de água, as cercas, eu não paro. Este cansaço físico me alivia a mente, é o que eu gosto de fazer.

 

Qual o seu livro de cabeceira, hoje.

Hoje estou lendo um livro de um primo meu, o Adalberto Nascimento, um livro de crônicas, chamado ”O crocodilo do Alemão”.

 

O Capitão lê a Bíblia toda manhã?

Leio sim, estou lendo na sequência e vou fazendo anotações…

 

Foi bem recebido em nossa cidade?

Muito bem recebido. Tenho uma gratidão imensa pela cidade que me acolheu. Em especial tenho gratidão por  uma pessoa que serei eternamente grata que é o Sr. Tutomu Saito. Tenho um sentimento de respeito, de admiração pelo Sr. Tutomu que me ensinou muito. Tenho uma dívida de gratidão pela pessoa que ele era. Foi um pai que não tive…

 

Como o capitão vê o conceito do desarmamento?

Existe o Estatuto do Desarmamento. O que as pessoas não entenderam é que existe o direito da pessoa de ter uma  arma. Não é que todo mundo vai ter que ter arma. Não. É o livre arbítrio dele. Se o indivíduo quer ter uma arma e preenche os requisitos para isso ela terá direito. Quem não gosta, não compra. O que está em questão é o direito de se adquirir ou não uma arma. Isso irá aumentar os índices criminais? Acho pouco provável isto acontecer. Pode ser que até reduza, porque hoje o criminoso age livremente, por sabe que o cidadão comum, de bem, não tem arma…

 

O que mais te assusta?

A perversidade de uma pessoa. Fico surpreso, decepcionado, pelas atitudes que vemos por aí, de pais abusando de crianças, não consigo entender, mas ali vejo a maldade do ser humano a perversidade, isto foge dos meus princípios, então me marca muito…

 

Dentro desta profissão o que mais  o marcou?

Todos os dias acontecem fatos que marcam. Mas, dentro da Polícia o que me marca é o fato de ter o poder de fazer algo bom para o meu semelhante. Você só descobre o significado da sua vida a partir do momento em que pode fazer algo de bom para o seu próximo. Quando muda a vida da pessoa. Quando se tem o poder de transformar a vida desta pessoa, de ajudar. Não tem dinheiro que pague! Quando se devolve esperança para uma pessoa, quando ela agradece porque fizemos o diferencial na vida dela…



Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

OUTRAS NOTÍCIAS EM Entrevistas
Ver mais >
Acompanhe nossas atualizações. Siga-nos