Simone Magalhães Lelis | A poetisa do amor

Simone Magalhães Lelis, guairense, nasceu na zona rural do nosso município, é poetisa, com livro publicado: “Espelho da minha alma”. Ela tem dois filhos, Rômulo e Amanda (são seu orgulho) e é vovó de um neto: Vitor Hugo (paixão da sua vida). Existem poemas da autora que se transformaram em letras de músicas espalhadas pelo Youtube. Simone se caracteriza como uma pessoa simples, que veio da roça, que brincou com bichos e comeu fruta no pé

Entrevistas
Guaíra, 5 de maio de 2019 - 08h30

Você estudou em Guaíra?

Fiz aqui até o primeiro colegial. Terminei, posteriormente, em São Paulo. Não cursei faculdade, porque casei muito jovem, com 19 anos, então fui cuidar dos filhos.

 

O que te moveu a escrever um livro de poesias?

Isso estava dentro de mim. Desde a minha adolescência escrevia em um diário. Ali eu colocava meus poemas, letras de músicas… Só que tudo isso se perdeu! Fui para São Paulo e tudo mudou! Nunca mais escrevi. Por mais de 30 anos todas estas inspirações ficaram adormecidas, no esquecimento.

 

E como despertou a poetisa adormecida?

Pelas redes sociais conheci alguns amigos poetas, conversando com um deles, escritor, dono da editora ”Versejar” que foi por onde lancei meu primeiro livro, comentei com ele que escrevia e ele se interessou em conhecer alguns dos meus poemas. Através do Facebook fui postando algumas das minhas composições e tudo aconteceu muito rápido.

 

Como assim?

Em questão de meses eu já estava participando de ”antologias”, por exemplo, uma editora de Brasília me convidou para participar de uma homenagem a Fernando Pessoa. E assim, alguns grupos, dentro das redes sociais, foram acessando meu trabalho e eu ”ganhei” o epíteto de ”Poetisa do Amor”, e ainda hoje sou convidada para fazer parte de academias, tudo dentro do Facebook.

 

Você continua a produzir sua literatura?

Sou convidada a participar das academias dentro das redes, mas  não participo mais dos grupos, porque estou com uma grande produção de textos e não tenho como administrar. Hoje, tenho muito mais de 1.000 poemas já escritos. Sou conhecida nos países que falam a língua portuguesa porque ”Espelho da minha alma” é o meu primeiro livro solo, porém, tenho textos para editar pelo menos mais 15 livros.

 

Como você escreve?

Escrevo no meu celular, dentro no ”note”, tenho alguma coisa publicada no ”site pensador”, e falta-me tempo para organizar.

 

De onde vem a sua inspiração?

Minha inspiração vem de Deus. É o Espírito Santo que me move, não tenho outra explicação.

 

Você é muito religiosa?

Eu sou Cristã. Não sou religiosa.

 

Você mora em Guaíra?

Sim, voltei para Guaíra e moro com meus pais.

 

E seus filhos, onde estão?

Meu filho Rômulo é cientista, é sociólogo e viaja o mundo. Já morou na Inglaterra. A residência fixa dele é no Campus da USP, onde está terminando o doutorado. Amanda é casada, é gerente de uma farmácia em São Paulo, tem um filhinho.

 

Depois de tanto tempo, o que está achando de Guaíra?

Guaíra me acolheu muito bem. Eu vejo, depois de 33 anos de ausência, que, como em todo lugar, Guaíra passa por problemas, alguns precários.

 

Você tem pretensão de publicar todo o seu acervo?

Tenho sim. Este meu livro agora já vai entrar em Portugal. A editora já vai colocar para ser vendido por lá. Sou conhecida também em Angola.

 

Ele está prontinho para isso?

Eu escrevo com a liberdade poética, sem grandes problemas e sem a preocupação com vírgulas, regras, pontuação, mas tem sempre alguém que critica. Então tenho que revisar. Gostaria de dizer que, como outros conterrâneos, Guaíra tem uma escritora: Simone Magalhães Lelis, filha de Guaíra, que faz questão de levar o nome desta cidade para todos os recantos onde se fala a língua portuguesa, de forma que minha cidade está sendo mostrada lá fora.

 

Dá para sobreviver da literatura?

Infelizmente literatura não dá dinheiro.

 

Você comunga com a ideia de que o brasileiro não gosta de ler?

Eu acho que é falta de incentivo. Meu filho, por exemplo, ele ”devora” livros, porque foi incentivado, foi disciplinado dentro da leitura desde criança, o que não foi o meu caso.

 

Te realizou escrever um livro?

Sim, me realizou. E ainda está me realizando, porque é algo que estava adormecido dentro de mim. Falo que o dom, o talento, nasce com a gente, uma hora ele tem que explodir, tem que sair de alguma forma.

 

Agradecimentos?

Agradeço a Deus sobre todas as coisas, agradeço aos meus filhos pelo incentivo, minha família que fez ser possível a realização deste livro, meu primeiro sonho. Agradeço também ao Adriano Feres, dono da Editora ”Versejar”, que me incentivou a publicar este primeiro livro. Tenho uma amizade muito forte com ele, mesmo sem conhece-lo pessoalmente. Ele acreditou no meu talento e meu livro está à venda pela editora e pelas redes sociais. Já enviei livros por todos os lugares através das postagens do correio.

 

Uma característica…

Eu escrevo em duetos com pessoas de Angola, Moçambique, do Brasil, com uma atenuante, não conheço o rosto de nenhum deles! Tudo é feito pelas redes sociais. Hoje, nem tempo mais de fazer um ”duo”, sou até muito procurada para isso, mas falta-me tempo de administrar tudo. Hoje, meu nome consta nas antologias, que são vários autores em um só livro. Eu devo estar em 15 antologias espalhadas pelo Brasil. Em uma das antologias fui homenageada como a ”Deusa do Afrodite”, em outra foi como a ”Flor da manhã”.

 

O que seria esta ”duo” poético?

São dois poetas, um faz uma parte e o outro faz outra, do mesmo poema. Isto existe muito. Devo ter mais de 60 poemas com vários participantes, dos quais nunca vi o rosto. O leitor leigo lê o poema, entra dentro dele e acha que aquilo é real. Este é o grande enigma de escrever. O poeta viaja. Eu consigo transmitir para o leitor que o que ele está lendo é real, mas não é. É simplesmente uma poesia que faz o leitor viver aquela verdade como se ele estivesse dentro daquelas palavras. É uma criação, uma inspiração. É o Dono da vida que me manda a inspiração e eu escrevo.



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