Vinícius Lima | O verdadeiro apaixonado pela música

Vinicius Gonçalves de Lima, 31 anos, é pai de duas garotinhas: Yasmin, 10 anos e Melina, 4 anos; e noivo de Ana Laura Dutra. Vinicim, assim conhecido pelos amigos, conta que já nasceu apaixonado pela música, em especial, pela bateria. Nas festas, quando criança, ao invés de correr e brincar, ficava paralisado em frente às bandas observando os movimentos do baterista, nas domingueiras, ou onde tivesse um som ao vivo. Ficava sempre posicionado da melhor maneira, até atrás do palco, mas que pudesse visualizar o baterista

Entrevistas
Guaíra, 29 de abril de 2019 - 16h21


Quando, de fato, começou sua paixão pela bateria?

A paixão pela música sempre existiu, mas meu primeiro contato com a bateria foi na residência do vocalista da banda ”Etnia” o Gabriel Casado. Interessante é que não há ninguém da minha família que toque algum instrumento. Minha mãe conta que meu avô José Pedro (que não conheci) tocava viola nas festinhas, nas fazendas. Mas, era puro amadorismo, bem descontraído. Tenho um tio, Zé Wilson, que também tem um dom para a música. Essas são as únicas referências de música na família.

 

Então…

Então comecei a frequentar a casa do Gabriel, começamos como brincadeira, da brincadeira surgiu a Banda Etnia. Isto dos 13 até os 16 anos.

 

Quem te deu as primeiras instruções?

Foi nessa época que tive contato com o Wilson Canibal. Ele me viu tocando e comecei a acompanhá-lo nos shows. Eu carregava a bateria, montava, desmontava, ajudava e ele sempre me instruindo… Nas sextas-feiras, nos encontrávamos na casa dele, já que era um sufoco acordá-lo de manhã (risos). Aí ele me ensinava a partitura, as músicas e fui ”pegando gosto”.

 

Foi seu único professor?

Não, depois do Canibal fui ter aula com o Cadu, o Carlos Eduardo, da escola Maria Peregrina e nessa época já comecei a tocar na noite. Eu tocava com o Canibal, com os grupos de pagodes, tocava com grupo de Rock, Sertanejo e, dessa forma, abri meu estilo musical. Percebi que se quisesse trabalhar com música tinha que abrir os horizontes, diversificar!

 

Conseguiu?

Sim, passei a ouvir de tudo, conheci outros músicos, outras linguagens musicais, outros estilos, então, chegou a um ponto em que decidi que tinha que estudar mesmo, foi onde pensei em fazer uma faculdade de música.

 

Fez faculdade?

Fui para São Paulo, prestei a LM, a famosa faculdade Tom Jobim, mas não passei, porque meu conhecimento técnico, teórico, era muito pouco. Na prova, somente eu e outro baterista tocava na noite, os outros só estudavam em conservatórios! Lá mesmo encontrei o Douglas Las Casas, um ”batera” renomado, muito conhecido aqui no Brasil e já tocou com Pepeu Gomes, Sá e Guarabira. Fiquei 6 anos estudando, aprendendo tudo: estúdio, a noite…

 

Aprendeu muito?

Sim, aprendi, principalmente, que trabalhar com música tem que ter responsabilidade! É um trabalho sério e digno como qualquer outro! Tem que batalhar, estudar e aprender! Tem as suas partes ruins, tem as boas, dias de luta e dias de glória. Foi em São Paulo que decidi que queria viver de música, fui aprendendo, mas sempre tocando, de modo que nunca mais parei, tanto de fazer cursos como de tocar!

 

Ainda está procurando por conhecimento?

Recentemente fiz um curso com Alex Reis, um baterista de Franca, mas que hoje acompanha o Circo de Soleil.  Ele também foi um divisor de águas na minha vida, nos meus conhecimentos. Estou sempre fazendo workshop com um e com outro, fazendo um acampamento de bateria, lá se faz um ”aulão”, e assim vou adquirindo cada vez mais conhecimento na música.

 

Quando você voltou definitivamente para Guaíra?

Na verdade, nunca deixei Guaíra definitivamente. Quando fui para São Paulo estudar, não cheguei a mudar em definitivo, eu ia e voltava, mesmo porque eu já estava trabalhando com música aqui, no PET, era auxiliar de percussão do Pit Dias. Depois, a Mirian Monezi (outra pessoa fundamental na minha vida, na construção da minha carreira) me indicou e ainda, após isso, apareceu o Projeto Guri e a Escola Maria Peregrina.

 

Hoje, como está a sua agenda?

Atualmente, trabalho como Educador musical, no Projeto Guri, tanto aqui em Guaíra como em Miguelópolis; trabalho também na Escola Santa Luz (aliás, a Escola Santa Luz tem uma grande importância na minha vida com referência a minha formação musical, porque lá tinha os grandes festivais e  também foi ali que tudo começou) inclusive o Rodolfo e eu estamos lá agora tentando voltar com aquelas atividades; dou aulas particulares, em casa, no meu estúdio, e faço shows.

 

Qual seu estilo?

Na verdade, sou o que se chama de ”Sideman” aquele que toca todos os estilos, com qualquer pessoa. Então, vou onde tiver trabalho. Por exemplo, quarta-feira, toco MPB e Samba, na sexta-feira, toco Rock e, sábado, toco com a orquestra. Por isso o músico tem que estar sempre antenado, sempre estudando!

 

Ainda há preconceito com os músicos?

Hoje, isso já está mudando. Realmente havia um conceito, errôneo, que músico está ligado à boemia. Não é assim! É um trabalho digno, com muita responsabilidade. Eu tenho uma rotina de trabalho: de manhã no meu estúdio estudando, gravando, criando. À tarde leciono. E à noite vou tocar, tanto aqui – com a Etnia, Medida Provisória – como em Rio Preto. Eu encaro com responsabilidade, com horário e tudo mais. Hoje, é bom que se diga, existe uma nova geração, que ”encara” uma grande responsabilidade com a saúde. Aquele “papo” de droga, bebida, isso não rola. Se não tiver saúde, como vai viajar? O corpo não aguenta!

 

Dá para sobreviver da música?

Há os serviços bons e os serviços ruins! Tem uma Banda em que eu toco, em Rio Preto, que se chama ”Raizeiros”, que conta a trajetória da música sertaneja desde 1.930 até 1.990. É um espetáculo que só é apresentado em teatro, então, a plateia vai para te assistir, prestigiar o evento! Nesse caso, ganhamos de acordo com a tabela musical. Em contrapartida, outras vezes estou tocando em qualquer barzinho da esquina. Não tem diferença. O negócio é tocar a sério, com planejamento. Independente de onde estiver tocando, é um trabalho!

 

Assim…

Na cabeça da galera, tem um conceito de que músico bom é aquele que está na mídia. Mas, eu acho que o profissional bom é o profissional que trabalha!

 

Você tem algum aluno que tem potencial?

Tenho muitos alunos bons. Tenho até uma ex-aluninha que já abriu um conservatório. Eu falo para meus alunos que se quiserem viver de música, eles têm que abrir mão de algumas coisas. Não reclamar e ter determinação, determinação é a palavra chave!

 

Você teve apoio da família?

Minha família nunca proibiu, mas teve um lance que meu pai entrou no meu estúdio e insinuou que eu deveria ter um trabalho fixo, já que minha primeira filha estava nascendo. Eu falei: ”mas pai, eu trabalho!” (risos). Não tive apoio financeiro, porque sempre comprei meus instrumentos. Mas, tive o apoio moral dentro de casa. Quando eles perceberam que eu conseguiria me manter e manter minha filha, aí o respeito mudou (risos).

 

Qual a importância da música para a formação de um cidadão?

Gostaria de dizer que a Educação Musical poderia ser mais intensa. Tem vários projetos em nossa cidade, mas gostaria que os pais incentivassem os filhos a tocar um instrumento. Que vissem a música como um complemento da educação e não como um simples passatempo. É cientificamente provado que a música trabalha com os dois lados do cérebro. Gostaria que tivesse estudo de música também nas escolas públicas, para que o aluno tivesse o discernimento do que é bom e do que é ruim. Com esses estilos que entraram hoje, a música ficou um pouco banalizada. Então, acredito que se houver um incentivo para as crianças, nas escolas, elas vão crescer com um ouvido mais apurado. Hoje, a pessoa não sabe quem canta afinado ou não, quem toca bem ou não, com isso, vai perdendo a essência, que é a arte. Isso pode ser consertado com o incentivo nas escolas, nas crianças. Outra coisa: para se frequentar uma faculdade de música é necessário saber a técnica, tem que saber o campo harmônico, para depois frequentar a escola de música.

 

Se as filhas quiserem seguir a sua profissão?

Vai ser o maior orgulho. Acho muito gratificante se elas quiserem seguir os passos do pai.

 

Agradecimentos?

Primeiro a Deus, sempre a Ele pela vida; e aos meus pais.

 

Tem ídolos?

Sim, meus professores: o Canibal, Cadu, Douglas e Alex; mas a Família está em primeiro lugar, depois de Deus. Não há nada melhor do que seu porto seguro, que é o Criador de Todas as coisas e a família!



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