Chicão | O motorista mais querido da prefeitura

Francisco Otávio Franco Garcia – o conhecido Chicão da prefeitura – tem 72 anos, é casado com Maria Genoveva, pai da Elaine e do Gabriel Neto. Chicão é avô de três netas: Bruna, Ana Paula e Ingrid. No próximo dia 17 de setembro, o casal completa 50 anos de casados

Entrevistas
Guaíra, 26 de maio de 2019 - 08h30


Vocês se conheceram na Prefeitura de Guaíra?

Não. Conheci a Genovena no Colégio Maria Auxiliadora, em Batatais – SP. O Padre Lelis foi celebrar uma missa para os pais e levei meu avô e minha mãe. As salas de aulas eram no andar de cima, mas a Genoveva ia sempre buscar giz para os professores e passava na porta da sala em que eu estava. Neste dia da missa, ela estava com duas primas, a Ana Maria e a Rosa, que eram filhas do Alceu e do Totonho Lelis. Eu a vi e me apaixonei! Foi amor à primeira vista (risos).

 

Mas, vocês trabalharam juntos na prefeitura, não é?

Quando entrei na prefeitura ela já estava trabalhando lá. Antes, eu tocava lavoura. Fiquei na prefeitura por 30 anos, até me aposentar…

 

Você entrou com qual prefeito?

O Zé Rosa era o motorista da prefeitura. Ele teve um probleminha de doença, então, quem me chamou foi o Adnaer Lelis, porque ele sabia que eu conhecia bem São Paulo.

 

E depois?

Depois quem ganhou a eleição foi o Menininho – o José Pugliesi – e o José João, que era o secretário da prefeitura, me aconselhou a não pedir demissão, então, continuei. Tive um trabalho muito respeitado com o Prefeito Menininho. Inclusive, teve, naquela  época, uma Semana Jurídica aqui em Guaíra, de modo que eu ia todos os dias em São Paulo, durante essa semana. O advogado era o Dr. Claudinei de Mello, um dos grandes advogados em São Paulo e eu ia e voltava todos os dias. Inclusive, só a título de curiosidade, de acordo com pesquisa da USP, o segundo QI (Quociente Intelectual) do Brasil era de um guairense, Carlos de Mello, irmão do Claudinei de Mello, que infelizmente morreu precocemente em um acidente de carro.

 

Dirigindo durante 30 anos para as autoridades, o que você mais ouviu durante as viagens?

Tudo o que ouvia, tanto politicamente quanto particularmente, ficava lá mesmo. E tem mais, nunca pedi uma nota fiscal, pode procurar nos documentos da prefeitura, nunca emiti uma nota, nem de água, durante minhas viagens. Sempre cumpri corretamente meu dever, o que eu via e ouvia, ficava por lá.

 

Quais prefeitos viajaram com o motorista Chicão?

Foram cinco: Adnaer de Barros Lelis, José Pugliesi, Claudio Armani, Zé Carlos Augusto e Sergio de Mello.

 

Conte uma das histórias fantásticas do Chicão?

Tenho duas histórias para contar que não têm muita explicação: Quando viajava com prefeito Sergio de Mello, vínhamos de Uberlândia para Uberaba e, em um determinado trecho desta estrada, onde tem um chapadão que desce água da chuva diretamente para pista (já houve acidente neste trecho, inclusive fatais, com pessoas de nossa cidade), o carro aquaplanou. Segundo antes disso, ouvi uma voz, que me instruiu: ”segura” Eu segurei firme o volante e o carro andou de ré uns 150 metros e fomos parar dentro de uma valeta, sãos e salvos, sem nem um arranhão do carro. Até a Polícia Rodoviária ficou sem ter muita explicação.

Outro episódio: Tinha 15 ou 16 anos e trabalhava com meu pai na nossa fazenda. Na colônia tinha uma família, o nome da mulher é ”Maria Sozinho”, hoje ela reside numa casinha perto de onde se encontra o Cruzeiro, que tinha um filho de uns 4 ou 5 anos. O garotinho pegou uma enxada e disse que iria ajudar o pai que estava trabalhando no roçado. Ela chegou desesperada na sede da fazenda dizendo que o menino dela tinha sumido. Eu peguei um cavalo e avisei todas as casas da fazenda e todos foram ajudar. Eu saí para o lado do pasto e, a certa altura, tinha um mato que fazia divisa com a fazenda do Santo Nogueira, escutei: ”à direita” o cavalo virou e já saiu no galope. O menino estava dentro do varjão se afogando. Eu salvei ele por causa desta voz. O cavalo entendeu. Eu fui guiado. Hoje, o garoto cresceu e mora na cidade de Santos.

 

Quer agradecer?

Quero agradecer a Deus, à minha família, aos grandes prefeitos que Guaíra teve. Faço um agradecimento especial ao saudoso Joel Pinheiro e aos médicos que estavam preocupados com a população mais carente da nossa sociedade e construíram nossa Santa Casa. Se um dia eu ganhar na loteria, eu pago a dívida da Santa Casa, por amor à nossa comunidade (risos). Lembro-me que Guaíra já foi chamada de ”Capital do Ouro Branco” e já foi considerada a maior área irrigada da América Latina. Isso foi motivo de orgulho para os guairenses.



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