A eleição já acabou!

Editorial
Guaíra, 28 de outubro de 2026 - 07h31

Tem gente que parece não ter percebido. As urnas foram fechadas, os votos contados, o vencedor escolhido. Mas, para alguns, a campanha continua.

A eleição acabou. Pelo menos no calendário eleitoral. Nas conversas, nas redes sociais e nos discursos de muita gente, parece que ainda estamos na véspera da votação. Uns continuam comemorando como se precisassem vencer todos os dias. Outros continuam discutindo o resultado como se ainda fosse possível mudar o voto depositado na urna.

Enquanto isso, o Brasil continua sendo o mesmo. Os boletos chegam, os impostos vencem, os hospitais precisam funcionar, as escolas precisam ensinar e o trabalhador continua acordando cedo para pagar suas contas. Nenhum desses problemas perguntou em quem alguém votou antes de bater à sua porta.

Mas existe uma diferença enorme entre defender convicções e viver prisioneiro de uma campanha eleitoral.

Quem venceu recebeu a responsabilidade de governar, não o direito de ser tratado como alguém acima de críticas. Quem perdeu continuará tendo espaço na democracia, mas precisa compreender que oposição não é sinônimo de impedir que o país avance. E quem votou, independentemente da escolha, continua tendo o direito de cobrar resultados.

Aliás, seria interessante se a mesma disposição que muitos demonstram para defender candidatos fosse utilizada para fiscalizar promessas, acompanhar decisões e exigir soluções. Talvez descobríssemos que a política pode produzir muito mais quando deixa de ser uma disputa entre torcidas e volta a ser um instrumento para melhorar a vida das pessoas.

A sociedade pode estar dividida nas urnas, mas os problemas que enfrentamos são os mesmos. A doença não escolhe partido. O desemprego não pergunta a preferência eleitoral. A insegurança não distingue vencedores de derrotados.

É possível discordar sem desejar o fracasso de quem governa. É possível reconhecer um acerto sem abandonar princípios. E, principalmente, é possível compreender que torcer contra um governo não deveria significar torcer contra o próprio país.

A democracia não termina com a apuração dos votos. É justamente depois dela que começa a parte mais importante: governar, fiscalizar, cobrar e construir resultados.

A eleição já acabou. O que não pode continuar é essa mania de tratar o Brasil como se ainda estivesse em campanha. Afinal, o país precisa de soluções, não de um terceiro turno que nunca termina.


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