Um relógio de cem mil reais marca exatamente as mesmas horas de um despertador barato. A diferença é que, enquanto alguns ostentam o primeiro no pulso, outros mal conseguem comprar o segundo. E ainda há quem fale em igualdade como se todos vivessem no mesmo mundo.
Podemos chamar o sistema de capitalismo, socialismo, comunismo ou dar qualquer outro nome. Mas nenhuma palavra bonita justifica privilégios. Quando vemos remunerações e vantagens no Estado que muitos trabalhadores levariam anos para receber, fica difícil não perguntar: estamos diante de uma democracia ou de uma monarquia sem coroa?
E existe outra contradição. Enquanto empresários e trabalhadores são colocados em lados opostos, esquecemos uma verdade simples: não existe emprego sem quem invista, assim como não existe empresa sem quem trabalhe. Um precisa do outro. E ambos precisam de um país que funcione.
Não há nada de errado em prosperar, ganhar dinheiro ou comprar um relógio caro. O problema começa quando privilégios são tratados como direitos intocáveis, enquanto os sacrifícios parecem sempre destinados aos mesmos.
O que precisamos é de equilíbrio, responsabilidade e, principalmente, atenção. Afinal, uma nação não se torna verdadeiramente forte apenas por suas riquezas, mas também pela capacidade de seu povo reconhecer o que está errado e não aceitar tudo como normal.
No fim das contas, o problema não é alguém usar um relógio de cem mil reais. É a conta dos privilégios cair sempre no colo de quem acorda cedo para trabalhar.
E o mais impressionante é que, enquanto alguns vivem como reis, ainda há quem bata palmas, aperte o botão da soneca e volte a dormir.

