Falar mal da corrupção é o esporte preferido nos bares, nas redes sociais e nas conversas de calçada. Todo mundo reclama dos desvios de dinheiro, da impunidade e da falta de vergonha na cara dos governantes. Mas, na hora H, quando chega o dia da eleição ou quando o amigo é pego fazendo coisa errada, o discurso bonito vai por água abaixo. É nessa hora que a pessoa esquece a moral e solta o famoso “pelo menos ele faz alguma coisa” ou “mas o outro lado é pior”.
O grande problema que ninguém quer encarar é que o político desonesto não cai do céu; ele é o reflexo de uma sociedade que, muitas vezes, aceita pequenas desonestidades no dia a dia. É o jeitinho, a vantagem levada em cima dos outros, a malandragem tolerada.
Enquanto o eleitor continuar tratando a política como jogo de futebol, onde vale tudo para o seu time vencer, inclusive fechar os olhos para a ficha suja, vamos continuar no mesmo lugar. A falta de informação atrapalha, sim. A falta de vontade de mudar também. Mas o hábito de aceitar a corrupção dos outros porque é do meu lado é o que mantém esse sistema vivo.
Ver o problema não basta; é preciso se olhar no espelho. Se queremos cobrar honestidade dos políticos, precisamos começar mudando o nosso próprio critério. Afinal, a corrupção só continua existindo porque encontra espaço na nossa própria tolerância. E lembre-se: a digital que você vai deixar na urna vai dizer muito mais sobre você do que sobre em quem você votou.

