Uma vida de dedicação e amor aos animais

Rosane Filócono Cassiano é casada há 20 anos com José Roberto Cassiano. Rosane faz parte do rol das pessoas atuantes no cuidado com os animais abandonados, está sempre presente onde quer que exista um animalzinho em risco de vida, ou que esteja passando por maus tratos

Entrevistas
Guaíra, 30 de junho de 2019 - 08h30


Você é guairense?

Eu nasci em São Joaquim da Barra, posteriormente me mudei para Ipuã após a morte de meu pai e lá, foi onde conheci o Zé Roberto. Namoramos e nos casamos e viemos residir em Guaíra. Isto já faz 20 anos.

 

Foi uma sorte encontrar no Zé Roberto uma pessoa que também gosta de animais?

Foi sim, mas devo confessar que no começo ele não era tão envolvido assim com os animais. Sempre respeitou, mas ele aprendeu a amar incondicionalmente a partir do momento em que ele começou a ver a minha luta. Aí sim ele compreendeu e hoje posso afirmar que ele ama demais os animais.

 

Há muita dificuldade de encontrar um lar para estes animaizinhos?

Um lar bom, com pessoas comprometidas com o bem estar dos animais está difícil. Existem ainda muitas pessoas do bem, mas a dificuldade fica por conta do número de animais. Com esta parada de sete meses que ficou sem castração, nasceram muitos animais. E assim as casas que já tinham cachorros, aumentou este número. Isto dificulta uma pessoa pretender adotar mais um animal.

 

Havia um lugar onde você ”juntava” e cuidava dos animais abandonados não é?

Aquele lugar era um terreno, mas Graças a Deus, aqueles cachorros que estavam acolhidos lá consegui doar todos. Eu tive que entregar este terreno porque o dono vai construir.

 

E agora?

Agora eu ajudo os animais nas casas das pessoas. Ajudo as pessoas que pegaram em adoção, mas não posso mais recolher porque não há onde colocar.

 

O pessoal ainda deixa muito animas na porta da sua casa?

Ultimamente na  porta da minha casa não há mais esta prática. Na verdade eu cuido mais dos animais grandes, que são abandonados, hoje, por exemplo, estou com cinco desses maiores, todos castrados porque um animal sem a castração fica vulnerável a muitas doenças.

 

Como surgiu este amor pelos bichos?

Eu nasci e fui criada na roça. Lá era somente a minha família, uma família pequena: pai, mãe e um irmão. Quando eu nasci este meu irmão já tinha dezessete anos, então eu não tinha amiguinhos, meus amigos eram os bichos: galinha, cabrito, porco, gato, cachorro, assim eu vim desenvolvendo, desde pequena, este carinho por eles. Aprendi que eles nunca me abandonariam e então eu também nunca iria abandoná-los.

 

O que você espera para um futuro próximo?

Em primeiro lugar eu acho que deve haver uma castração em massa e muita conscientização. Agora, voltando a se fazer a castração as pessoas poderão procurar o centro de zoonose para castrar os seus bichinhos. Tem muitas pessoas que se lembram de tomar sua cervejinha, comer seu churrasco nos finais de semana mas ela não perde um tempinho para procurar uma castração.

 

As pessoas aceitam que se divulgue a castração.

Ainda há pessoas que contestam, pergunta ”por quê”, ”para quê” deixa ir nascendo. Outros ainda pensam ”deixa prá lá o animal ainda não teve nenhum filhote…”

 

Então por isso você fala em conscientização?

Sim falo muito em castração e conscientização. Por exemplo, existem pessoas que possuem um desses animais, mas o trazem amarrado, mesmo tendo um quintal enorme. Isso me deixa indignada. Maus tratos me deixa muito entristecida. Se a pessoa não gosta de animal, então não pega. Se não vai cuidar, não pega. Um animal não vive somente de ração. Ele vive de ração, de banho, vacina, vermífugo, amor e respeito. estas são as seis prioridades que um animal precisa.

 

Você tem ajuda do poder público?

Não. Tenho ajuda dos munícipes. Por exemplo, a Simone do Shopping Calçados que é uma pessoa que oferece, todos os meses, uma doação, então eu agradeço de coração, o Aluísio Aguetoni que também ajuda muitas cuidadoras doando ração e tendo outros cuidados.

 

E quando é um caso mais grave como foi o caso do Bob?

Então, neste caso, as pessoas ajudam com uma rifa, uma doação, teve além do Bob, que até saiu na revista, tem também a Cachorrona, que teve um tumor e através das doações os dois foram recuperados e adotados. O Luiz, que é uma pessoa que arruma pneus no local, tipo de uma oficina móvel, este rapaz se apaixonou pela Cachorrona, ele a adotou, Graças a Deus.

 

Depois de adotados você tem notícias desses animais?

Tenho sim, vou atrás, e muitas vezes as pessoas me agradecem dizendo que eu dei um presente para elas; mas não foi eu quem deu o presente, elas são o presente em adotar estes seres adoráveis.

 

Mas, não apenas cachorros que são adotados?

Existem gatos, cavalos, e recentemente um empresário, dono de um estabelecimento me ligou dizendo que tinha aparecido por lá uma codorna. Ela ficava nas prateleiras e fiquei com ela até ela estar em condições de voltar para o seu habitat. Eu resido perto de uma mata e assim que eu notei que ela tinha condições de sobreviver, soltei e ela foi embora. Voltou para o habitat dela.

 

Agradecimento?

Agradecer primeiro a Deus pela força que Ele me dá porque vejo muitas atitudes que me entristecem; agradecer ao meu marido, agradecer as pessoas que depositam em mim esta confiança, ao jornal que sempre divulga quando estamos em campanha; agradecer a Zoonose por ter voltado a castração; porque é um benfeitoria muito grande.



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