Luiz Tejon (artigo abaixo) fala com propriedade sobre entropia e sintropia. De um lado, forças que se dispersam. Do outro, forças que se aproximam, cooperam e constroem. A FAIG 2026, encerrada neste sábado, ofereceu um exemplo bastante concreto dessa disputa.
Foram dias de trabalho, planejamento, organização e mobilização para colocar de pé uma feira capaz de reunir produtores, empresas, tecnologia, conhecimento e oportunidades. Nada disso acontece por acaso. Existe esforço por trás de cada estande, cada máquina, cada encontro e de toda a estrutura necessária para fazer um evento dessa dimensão acontecer.
E aconteceu.
Durante três dias, diferentes setores ocuparam o mesmo espaço. Houve encontro, conversa, negócios e troca de experiências. A feira revelou o que acontece quando diferentes forças se encontram e decidem participar.
Mas nem todos estiveram lá.
E essa ausência não precisa ser apontada para ser percebida.
Porque estar junto não é apenas uma questão de endereço. É uma escolha. Quando uma cidade realiza um evento capaz de reunir parte significativa das forças que movimentam sua economia, sua sociedade e seu futuro, cada presença ganha significado. Da mesma forma, cada ausência também.
É aí que a sintropia deixa de ser teoria e ganha endereço. Guaíra. Quando suas forças se encontram, se reconhecem e trabalham na mesma direção, a cidade avança. Quando cada uma segue por conta própria, a dispersão ocupa o espaço que poderia ser de construção.
A feira acabou. A questão, não.
Se nem todos estiveram juntos quando havia uma oportunidade concreta de estar, como construir uma cidade verdadeiramente unida quando o desafio for muito maior?
Porque as pessoas percebem. Percebem quando as palavras falam de união, mas as atitudes caminham em outra direção. Percebem quando se fala muito sobre construir juntos, mas, na hora de transformar discurso em presença e participação, nem todos comparecem.
A FAIG mostrou que Guaíra tem força. Basta que suas diferenças não sejam maiores que aquilo que todos podem construir juntos em favor de uma causa maior.
E talvez seja essa a principal lição que fica quando os estandes são desmontados e a feira termina: não precisamos pensar igual para caminhar na mesma direção. Precisamos apenas reconhecer quando existe algo maior do que as nossas diferenças.
Às vezes, o discurso pode até ser bonito. Mas, quando não é acompanhado por atitudes, acaba sendo apenas mais uma narrativa.
Na próxima, que ninguém precise perguntar quem estava junto.

